Por Alex Blau Blau
Governo brasileiro intensifica negociações, mas avalia que a possibilidade de evitar a taxação de produtos exportados aos Estados Unidos é considerada reduzida
O governo federal inicia uma semana considerada estratégica para as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. A expectativa é de que o governo norte americano anuncie nos próximos dias sua decisão sobre a aplicação de novas tarifas a produtos brasileiros, enquanto autoridades dos dois países mantêm as últimas tentativas de negociação.
No Palácio do Planalto, a avaliação predominante é de que as chances de impedir a adoção das medidas são pequenas. A equipe responsável pelo diálogo com Washington acredita que os argumentos técnicos apresentados pelo Brasil dificilmente modificarão a posição já sinalizada pelas autoridades dos Estados Unidos.
Nos últimos dias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu ministros das áreas de Relações Exteriores e Desenvolvimento para analisar possíveis cenários antes da divulgação da decisão, prevista para esta semana. Entre as hipóteses consideradas pelo governo, a mais provável é a confirmação das tarifas, restando apenas a definição do percentual e dos produtos que poderão ser atingidos.
A investigação conduzida pelas autoridades norte americanas questiona práticas comerciais brasileiras em diferentes áreas, entre elas comércio digital, regras de propriedade intelectual, combate ao desmatamento ilegal, políticas tarifárias e outras medidas econômicas. O processo poderá resultar na aplicação de uma sobretaxa sobre produtos brasileiros exportados ao mercado dos Estados Unidos.
Na tentativa de evitar o aumento das tarifas, o governo brasileiro apresentou uma proposta contendo medidas de reforço nos mecanismos de controle das áreas questionadas. O documento também demonstra disposição para ampliar ações de fiscalização e aperfeiçoar políticas já existentes com o objetivo de afastar a avaliação de que essas práticas prejudicam a economia norte americana.
Entre os pontos considerados inegociáveis pelo governo brasileiro está o sistema de pagamentos Pix, que ficou de fora das alternativas apresentadas durante as negociações.
Apesar da continuidade do diálogo entre os dois países, representantes da equipe econômica dos Estados Unidos afirmaram que ainda existe grande distância entre as posições defendidas por cada lado, indicando que uma definição deverá ocorrer em breve.
Outro cenário analisado pelo governo brasileiro, embora considerado pouco provável, seria um eventual adiamento da decisão por parte da administração norte americana. Essa possibilidade ganhou força após manifestações do senador Flávio Bolsonaro durante agenda nos Estados Unidos, quando defendeu que a adoção imediata das tarifas poderia provocar reflexos políticos no Brasil.
O governo federal criticou a atuação do parlamentar e reafirmou que manterá as negociações até a divulgação da decisão oficial. Somente após o anúncio das autoridades norte americanas será definida a estratégia de resposta que poderá ser adotada pelo Brasil diante das novas medidas comerciais.




