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Governo Lula inicia reação às tarifas dos Estados Unidos

Por Alex Blau Blau

Brasil aciona mecanismo de reciprocidade econômica e aposta inicialmente no diálogo diplomático para tentar reduzir os efeitos das cobranças impostas por Washington

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou nesta quinta feira, 13 de agosto, o procedimento que poderá resultar na adoção de medidas de reciprocidade diante das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.

A iniciativa está amparada pela Lei da Reciprocidade Econômica e começa com uma análise conduzida no âmbito da Câmara de Comércio Exterior. Apesar da abertura do processo, nenhuma nova tarifa brasileira será aplicada de forma imediata.

A prioridade nesta fase será buscar uma solução por meio de consultas diplomáticas com o governo do presidente Donald Trump. O objetivo é tentar diminuir ou eliminar os impactos das medidas adotadas pelos Estados Unidos antes de uma eventual resposta comercial brasileira.

Produtos brasileiros enfrentam cobrança maior

A tensão comercial aumentou após os Estados Unidos estabelecerem, em julho, uma tarifa adicional de até 12,5% sobre produtos provenientes de dezenas de países. O Brasil ficou na faixa máxima da cobrança.

A nova tarifa se soma a outra sobretaxa de 25% que já atingia parte das exportações nacionais. Dessa forma, determinados produtos brasileiros podem enfrentar cobranças adicionais de até 37,5% para entrar no mercado norte americano.

Washington justificou parte das medidas com questionamentos relacionados ao combate ao trabalho forçado. O governo brasileiro rejeitou as alegações e sustenta que o país possui legislação e compromissos internacionais destinados a enfrentar esse tipo de prática.

Brasil contesta acusações

Outra questão que elevou a tensão foi a acusação norte americana de que o território brasileiro estaria sendo utilizado para facilitar o redirecionamento de mercadorias chinesas com o objetivo de contornar tarifas dos Estados Unidos.

O Brasil aparece, ao lado de Argentina, Chile, Colômbia e Peru, entre países latino americanos mencionados pelas autoridades norte americanas nesse contexto.

O governo brasileiro afirma ter apresentado argumentos para rebater as acusações e considera as tarifas impostas injustificadas.

Enquanto as negociações avançam, o Planalto pretende manter ações destinadas a proteger empresas, empregos e setores produtivos afetados pelas novas cobranças. O governo também afirma que continuará buscando novos mercados para os produtos brasileiros e defendendo soluções negociadas para as disputas comerciais internacionais.