Início Distrito Federal Governo prevê melhoria na saúde pública do DF apenas em 2016

Governo prevê melhoria na saúde pública do DF apenas em 2016

20150618015954Governo afirma que este ano servirá apenas para “apagar incêndios” por conta de “herança”.

O futuro da saúde no Distrito Federal continua desanimador, pelo menos até o fim deste ano. A previsão para que a herança de dívidas deixada pelo governo passado pare de afetar o atual é apenas em 2016, segundo o diretor executivo do Fundo de Saúde, Ricardo Cardozo dos Santos. Ele explicou o atual cenário econômico do setor, assim como fez o secretário de Saúde, João Batista de Sousa, na última segunda-feira.

Além de uma dívida de R$ 377 milhões da gestão anterior, Ricardo acredita que a falta de um orçamento coerente com a realidade também contribuiu para a atual situação. Em 2014, foram gastos R$ 6,3 bilhões no total, sendo que o orçamento aprovado para este ano foi de apenas R$ 5,9 bilhões. A proposta do governo era de R$ 9 bilhões.

Diante disso, o diretor do Fundo de Saúde assume que o governo passará o resto deste ano “apagando um incêndio”, o que desmentiria comentários ditos após o discurso do secretário de Saúde, de que o Governo de Brasília teria, sim, verba suficiente.

Ricardo ressalta que existe uma diferença entre orçamento e financeiro que precisa ser considerada. “A Lei Orçamentária funciona como um cartão de crédito, logo tem um limite para cada tipo de gasto. Portanto, também existe um tempo entre a contratação da despesa e o efetivo pagamento dela. Não podemos misturar as coisas, orçamento não é o dinheiro em si, é apenas um limite, uma autorização. E é com base neste limite que nós executamos as nossas despesas. No entanto, a autorização para 2015 foi muito abaixo das necessidades reais da secretaria”, explica.

Para ele, não foi feita uma análise dos principais gastos de 2014 para chegar ao orçamento de 2015, o que tem prejudicado a pasta. “O orçamento de 2015 virou uma peça de ficção, algo totalmente fora da realidade. Se, no ano passado, o dinheiro não foi suficiente, como eles aprovam para este  ano um valor menor?”, contesta.

Dificuldade em números
O diretor do Fundo de Saúde, Ricardo Cardozo, garante que os números comprovam a dificuldade da secretaria. Como exemplo, ele cita que, em 2014, estavam previstos R$ 712 milhões apenas para os principais programas de custeio, mas este número passou para R$ 1,2 bilhão no fim do ano. Já em 2015, o orçamento foi de apenas R$ 554 milhões para os mesmos programas.
“Isso porque estamos falando apenas dos principais programas. Quando levamos em consideração todo o custeio, em 2014, o gasto foi R$ 1,5 bilhão e, para este ano, o orçamento foi de R$ 500 milhões a menos”, completa Cardozo. Os principais custos consistem em benefício para os servidores, vigilância, limpeza, manutenção de máquinas e equipamentos, leitos de UTI, entre outros.
Ainda de acordo com o diretor, no total, a secretaria recebeu R$ 240 milhões a mais do que estava previsto e, ainda assim, está apertado. Segundo ele, o orçamento só para a aquisição de medicamentos em 2015 era de R$ 86 milhões, número que já sofreu suplementação graças ao dinheiro extra, passando para R$ 102 milhões.
“Porém, destes R$ 102 milhões, a secretaria já comprometeu R$ 97 milhões, ou seja, mas do que o orçamento aprovado inicialmente”, acrescenta. Como solução, ele destaca a redução de despesas e o aumento do faturamento  com verba de outras secretarias, além  de recursos do Ministério da Saúde.
Fonte: Jornal de Brasília