Da redação
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul deflagrou operação para investigar grupos virtuais responsáveis por incentivar automutilação, violência e suicídio, após a morte de uma menina de 13 anos transmitida em redes sociais. Os grupos funcionavam em sigilo, com acesso restrito por convite, e a maioria dos participantes identificados tem menos de 18 anos: seis adolescentes de 14 a 17 anos foram apreendidos, além de um adulto identificado.
Segundo o Ministério da Justiça, o planejamento exigiu ação simultânea em cinco estados para impedir destruição de provas digitais. A operação cumpriu seis medidas cautelares de busca e apreensão de adolescentes e seis mandados de busca e apreensão domiciliar na Bahia, no Distrito Federal, no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul e em São Paulo. O Laboratório de Operações Cibernéticas do ministério participou da mobilização.
As investigações revelaram a atuação de administradores, recrutadores, moderadores e participantes nos chamados “panelas”, grupos que disputavam reconhecimento entre si pelo teor extremo de seus conteúdos. Os adolescentes apreendidos atuavam diretamente na administração das comunidades e nas intimidações contra as vítimas, muitas vezes iniciando contato por redes sociais e atuando com perfis falsos. Conforme a polícia, a recusa em ingressar nos grupos podia levar a ameaças e chantagens utilizando dados de familiares.
Conforme a pasta, a análise técnica das mídias apreendidas resultou na identificação de novos envolvidos, incluindo uma pessoa que se apresentava como amiga da menina morta em julho. O Discord, plataforma citada nas investigações, declarou adotar medidas de segurança e afirmou que o servidor investigado foi desativado antes do falecimento da adolescente, acrescentando que a morte ocorreu em outra plataforma.





