Da redação
O conflito no Oriente Médio completa 10 dias, ampliando suas consequências globais. Entre os efeitos recentes, destacam-se episódios de “chuva tóxica”, a alta do preço do petróleo e impactos sobre o comércio internacional. As hostilidades no Irã provocaram interrupções na navegação no Estreito de Ormuz, rota vital para o comércio global, segundo a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad).
De acordo com a Unctad, o Estreito de Ormuz responde por cerca de um quarto do transporte marítimo de petróleo e um terço do comércio global de fertilizantes. Desde a escalada militar, diminuições no fluxo de navios elevaram o preço do petróleo para mais de US$ 90 por barril, com aumento também nos custos de frete e seguro. O cenário pode gerar elevação nos preços dos alimentos e no custo de vida, agravando a preocupação de países em desenvolvimento.
Em Teerã, ataques a depósitos de petróleo acarretaram episódios de “chuva preta” e contaminação do ar. O porta-voz da Organização Mundial da Saúde, Christian Lindmeier, alertou para riscos à saúde dos iranianos devido à liberação de hidrocarbonetos tóxicos, óxidos de enxofre e nitrogênio. Ravina Shamdasani, do Escritório de Direitos Humanos da ONU, questionou se ataques israelenses e americanos respeitam o direito internacional humanitário, já que os depósitos atingidos “não parecem ser de uso exclusivamente militar”.
No Líbano, mais de 100 mil pessoas foram deslocadas em 24 horas após ataques israelenses, elevando o total de desalojados no país para quase 700 mil, informou Karolina Billing, do Acnur. Ela relatou que a maioria fugiu de forma abrupta, buscando refúgio em Beirute, Monte Líbano, norte do país e Vale do Becá.
A logística de ajuda humanitária também foi prejudicada. Segundo Jean-Martin Bauer, do Programa Mundial de Alimentos, as operações no Sudão agora dependem de rotas mais longas, que aumentam o tempo de transporte em 25 dias e elevam o custo de seguro para US$ 2.000 a US$ 4.000 por contêiner em áreas de risco.








