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Guterres alerta para risco de colapso no Oriente Médio por escalada de conflitos


Da redação

O secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um alerta nesta terça-feira, 10 de junho, durante sessão do Conselho de Segurança, sobre a escalada da violência e deterioração diplomática no Oriente Médio. Segundo Guterres, a situação pode resultar em conflito amplo com impactos globais, afetando comércio, inflação e segurança alimentar.

Durante o discurso, Guterres destacou o agravamento da crise no Líbano desde março, com intensificação de ataques de Israel e do Hezbollah. O sul libanês sofreu “danos alarmantes” e mais de 1 milhão de civis foram deslocados. A ONU perdeu sete soldados de paz no conflito, incluindo uma vítima na última semana.

O chefe da ONU relatou a destruição de comunidades inteiras e infraestruturas civis no país. Apesar da escalada, reconheceu o papel dos Estados Unidos nas negociações entre Israel e Líbano. Guterres defendeu cessar-fogo abrangente, permanência das tropas internacionais e respeito à soberania libanesa conforme a Resolução 1701 do Conselho de Segurança.

Guterres também abordou a instabilidade no Golfo Pérsico, classificando a situação como “fogo menor” diante da continuidade de ataques a civis e infraestrutura. O bloqueio no Estreito de Ormuz provocou aumento nos preços de energia, ruptura de cadeias de suprimento e alta nos preços de fertilizantes, prejudicando especialmente os países em desenvolvimento.

Na questão regional, o líder da ONU ressaltou conflitos não resolvidos na Faixa de Gaza e Cisjordânia, mencionando seis ataques diários por ocupantes de assentamentos considerados “extremistas” e a intensificação de assentamentos ilegais. Guterres citou níveis inéditos de deslocamento palestino desde 1967 e também chamou atenção para Iêmen e Síria, onde os resultados diplomáticos ainda são incertos.

Dados apresentados apontam que, no Iêmen, já houve libertação de 1.600 detidos em pacto entre as partes, o maior desde o início da guerra. Guterres pediu o fim das ameaças à navegação no Bab Al Mandeb e a libertação de funcionários da ONU. O secretário-geral concluiu que a diplomacia e a Carta da ONU são fundamentais para viabilizar uma solução negociada na região.