Da redação
Na abertura da Cúpula da União Africana, em Adis Abeba, Etiópia, o secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou o papel central da organização africana na defesa do multilateralismo global. “Em um mundo assolado por divisões e desconfiança, a União Africana é um bastião do multilateralismo”, afirmou Guterres diante de chefes de Estado e governo do continente.
Guterres estruturou o discurso em três prioridades: paz, ação econômica e ação climática. Ele reforçou o apoio da ONU à liderança africana por justiça global, enfrentando os legados da escravidão e do colonialismo, e defendeu mecanismos de reparação. Sobre a exploração de recursos naturais, declarou: “basta de exploração e pilhagem”, defendendo que os africanos sejam os principais beneficiados pelas riquezas do continente, especialmente minerais críticos para a transição energética.
No campo financeiro, o chefe da ONU alertou que a África perde mais dinheiro anualmente em pagamento de juros da dívida e fluxos financeiros ilícitos do que recebe em ajuda. Ele pediu ação internacional no combate à lavagem de dinheiro, evasão fiscal e fluxos ilícitos, além de apoio a países endividados e a reforma da arquitetura financeira global, garantindo aos países africanos participação plena nas decisões.
Na área de segurança, Guterres solicitou o fim imediato dos confrontos no Sudão e a retomada de negociações pelo cessar-fogo. Também mencionou situações críticas no Sudão do Sul, República Democrática do Congo, República Centro-Africana, Líbia, Sahel, África Ocidental e Somália. Destacou ainda a resolução 2719 do Conselho de Segurança como avanço histórico para o financiamento de operações de paz lideradas pela União Africana, mas lamentou a falta de consenso sobre recursos para a missão na Somália.
O secretário-geral defendeu uma profunda reforma na governança global, especialmente no Conselho de Segurança, classificando como “indefensável” a ausência de assentos permanentes africanos no órgão. Guterres encerrou declarando: “até o último momento de meu mandato, a África será prioridade número um em todas as atividades da ONU”.








