Da redação
Edimar Rocha Martins, pedreiro de Araguatins, Tocantins, viajou mais de dois mil quilômetros de Imperatriz, Maranhão, até Belo Horizonte para encontrar uma mulher que conheceu pelas redes sociais. Ao chegar à capital mineira, descobriu que a suposta pretendente, conhecida como Jéssica Oliveira, era uma personagem criada por inteligência artificial. Sem recursos para retornar, ele recebeu apoio da Prefeitura de Belo Horizonte, conforme relato de autoridades locais.
O caso ganhou grande repercussão nas redes sociais após Edimar relatar que a solidão o motivou a fazer a viagem. “Tem coisa pior do que a solidão?”, afirmou ele à assistente social, demonstrando tristeza e desânimo. A personagem digital, popularmente chamada de “Jessica Fazendeira”, acumulava mais de 300 mil seguidores e se apresentava como alguém à procura de um companheiro para viver em sua fazenda e garantir-lhe sustento.
Após o episódio, o administrador do perfil negou qualquer contato com Edimar, alegando que a conta foi criada apenas para engajamento e vendas, sem intenção de relacionamento direto. Posteriormente, o responsável removeu o perfil das redes sociais. A Polícia Civil de Minas Gerais afirmou que não há registros de ocorrência vinculados ao caso e declarou não ser possível, até o momento, afirmar que houve crime.
Em nota, a Polícia Civil informou que a criação de personagens virtuais gerados por inteligência artificial não configura crime, mas alertou que o uso dessas ferramentas com objetivo de enganar e obter vantagens ilícitas pode caracterizar infração, a depender das circunstâncias. A corporação recomenda verificar a identidade de pessoas conhecidas apenas virtualmente, evitar compartilhamento de dados pessoais e, em caso de suspeita de golpe, preservar provas e registrar boletim de ocorrência.




