Da redação
A Hungria vai às urnas neste domingo (12) para decidir o futuro político do país diante do possível fim da era Viktor Orbán. No poder há 16 anos, Orbán, de 62 anos, é apontado como referência do movimento reacionário internacional, aliado de Donald Trump e próximo de Jair Bolsonaro e Vladimir Putin, posição que o tornou figura isolada em parte da Europa. Ao longo do mandato, promoveu mudanças institucionais, entre elas uma reforma eleitoral que dificulta a alternância de poder.
Péter Magyar, advogado de 45 anos e líder do recém-fundado partido Tisza, lidera as pesquisas com cerca de 10 pontos percentuais de vantagem sobre o Fidesz, partido do atual premiê. Especialistas avaliam que Magyar precisa de uma vitória entre 3 e 6 pontos percentuais para assegurar sua ascensão, mas, mesmo eleito, terá dificuldades para implementar reformas sem dois terços das 199 cadeiras do Parlamento.
A reta final da campanha foi marcada por forte mobilização popular, como o concerto “Demolição do Sistema”, que reuniu mais de 50 artistas e dezenas de milhares de pessoas em Budapeste na sexta-feira (10). Paralelamente, a eleição foi alvo de declarações de apoio e interferências externas, inclusive de J.D. Vance, vice de Trump, e do porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, que acusaram a União Europeia de tentar impedir a reeleição de Orbán.
O processo eleitoral também ocorre sob acusações de corrupção, poder concentrado nas mãos de oligarcas ligados a Orbán e insegurança na imprensa, já que cerca de 80% dos veículos jornalísticos são comprometidos com o governo, segundo Repórteres Sem Fronteiras. Reportagens apontam ainda envolvimento de serviços russos na disseminação de campanhas e notícias falsas nas redes.
A comissão do Parlamento Europeu que monitora o Estado de direito expressou preocupação, alertando para o risco de a interferência estrangeira abalar a credibilidade da eleição e até motivar a decretação de estado de emergência, o que poderia suspender o pleito.






