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Ibama classifica pirarucu como espécie invasora fora da amazônia e libera pesca para controle


Da redação

O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) classificou o pirarucu (Arapaima gigas), um dos maiores peixes de água doce do mundo, como espécie exótica invasora fora da Amazônia, onde é nativo. A medida consta em instrução normativa publicada em 17 de junho e declara a “nocividade ambiental” do peixe em outros biomas do país.

A norma libera a pesca e o abate do pirarucu fora da Amazônia para controle populacional, permitindo a comercialização apenas no estado onde o animal for capturado. O órgão poderá apreender produtos comercializados fora dessa regra. Segundo o Ibama, o pirarucu é um predador de topo, capaz de causar impactos negativos à biodiversidade local. “A remoção de indivíduos tende a produzir efeitos positivos, ao reduzir a pressão predatória sobre espécies nativas”, afirmou o instituto em nota.

Produtores reagiram negativamente à decisão. A Peixe BR (Associação Brasileira da Piscicultura) declarou que a medida “impacta diretamente investimentos, planejamento produtivo e a segurança jurídica do setor” e criticou a “ausência de diálogo” com a cadeia produtiva. A Abrapes (Associação Brasileira de Fomento ao Pescado) avaliou que a restrição à comercialização interestadual pode gerar ineficiência logística. “O controle ambiental será mais efetivo se alinhar incentivos econômicos à política pública”, disse Júlio César Antônio, presidente da Abrapes.

Segundo dados do IBGE, a produção de pirarucu em cativeiro caiu 17% entre 2021 e 2024, passando de 2.136 toneladas para 1.778 toneladas. Já a lista oficial de espécies exóticas invasoras do país, elaborada pela Conabio (Comissão Nacional de Biodiversidade), teve seus trabalhos suspensos em dezembro de 2025 após pressão de produtores de tilápia.

Paralelamente, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) anunciou que lançará nesta quinta-feira (26) um programa de pagamento por serviços ambientais para 5.000 manejadores de pirarucu na Amazônia, com recursos de cerca de R$ 15 milhões, financiados pelo Fundo Verde do Clima e apoio do Pnud.