IFI: em ano eleitoral e de Copa do Mundo, governo deve buscar equilíbrio fiscal


Da redação

Em 2026, o governo federal deve priorizar uma gestão fiscal de curto prazo e postergar medidas estruturais, segundo avaliação da Instituição Fiscal Independente (IFI) no primeiro Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) do ano. Divulgado nesta quinta-feira (29), o documento aponta um cenário de contenção e metas menos ambiciosas para as contas públicas federais diante do contexto eleitoral e da realização da Copa do Mundo.

A IFI não espera a adoção de medidas fiscais “heroicas”, seja via aumento de tributos ou cortes expressivos de gastos, considerando a baixa probabilidade de apoio parlamentar em ano eleitoral. O foco do governo tende a ser o cumprimento formal da meta fiscal, principalmente o zerar do déficit primário em 2026, sem atingir o superávit de 0,25% do PIB estipulado como centro da meta. O necessário, segundo a IFI, seria um superávit superior a 2% do PIB para estabilizar a dívida pública.

O diretor da IFI, Alexandre Andrade, afirmou que “no ano eleitoral dificilmente ocorrerão movimentos que corrijam a dinâmica das contas públicas, particularmente do lado da despesa”. Ele alertou que a perseguição apenas do limite inferior das metas pode prejudicar a credibilidade da política fiscal e aumentar a incerteza econômica.

O relatório mostra ainda que, apesar do aquecimento econômico, com hiato do produto estimado em 0,5%, o resultado primário estrutural projetado para 2026 é negativo em 0,9% do PIB. Em 2025, o déficit primário legal ficou em R$ 9,5 bilhões (0,1% do PIB), enquanto o déficit efetivo alcançou R$ 61,7 bilhões (0,5% do PIB). O crescimento da dívida pública foi de 7,3 pontos percentuais do PIB desde dezembro de 2022, totalizando 79% do PIB.

O RAF também destaca que alterações no Orçamento de 2026 elevaram as despesas fora do teto de 6,7% para 8,2% do total (R$ 230,7 bilhões), o que, segundo a IFI, enfraquece o arcabouço fiscal. A instituição aponta ainda que investimentos federais representam apenas 0,76% do PIB, refletindo o crescente estrangulamento do orçamento público e dificultando o crescimento econômico sustentável.

Fonte: Agência Senado.