Da redação
O presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Roberto Ardenghy, afirmou que o impacto da guerra no Oriente Médio nos preços de combustíveis no Brasil deve demorar a ser sentido. Segundo ele, a recente alta do petróleo ocorreu após ataques de Israel e Estados Unidos ao Irã, no sábado (28), e das retaliações iranianas contra Tel Aviv e bases americanas em países produtores da região.
Ardenghy explicou que o efeito nos preços internos será gradual, pois as refinarias mantêm estoques de petróleo e os contratos firmados atualmente garantem valores anteriores. “É um processo longo, que pode durar até seis meses para acontecer. Não haverá nenhuma mudança de patamar de preço a curto prazo, inclusive, para o consumidor brasileiro”, declarou à Agência Brasil.
O presidente do IBP também destacou a incerteza do conflito como fator que pode retardar repasses ao consumidor. Ele citou incertezas como a continuidade da guerra, bloqueio do Estreito de Ormuz e possibilidade de outros países serem envolvidos. Ardenghy lembrou ainda que contratos no setor são de longo prazo e há estoques estratégicos disponíveis em alguns países.
Sobre o bloqueio do Estreito de Ormuz, Ardenghy disse que, apesar do impacto, existem rotas alternativas, como oleodutos do Iraque, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, o que deve evitar uma mudança brusca nos preços globais nos próximos 60 a 90 dias.
Por fim, Ardenghy ressaltou a relevância do Brasil como produtor, com 3,8 milhões de barris por dia em 2025 e exportações de 1,7 milhão de barris. Ele acrescentou que o país pode ajudar a compensar a escassez global e prevê maior participação brasileira no mercado internacional, diante da busca global por diversificação de fornecedores.






