Da redação
Órgãos de imprensa da China têm destacado a relevância do Brasil como parceiro estratégico, fonte de produtos agrícolas e ator-chave nos Brics, além de ressaltar o impacto das eleições presidenciais próximas, com projeção de segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), segundo o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil. A cobertura busca mostrar como o pleito pode alterar o cenário político brasileiro e suas relações internacionais.
De acordo com Kerry Allen, analista de mídia chinesa do BBC Monitoring, o interesse do governo chinês na eleição brasileira é refletido na imprensa local, que frequentemente apresenta Lula como o “político de esquerda mais influente do Brasil”, detentor de “base sólida de apoio popular, vasta experiência em governança e uma imagem internacional positiva”. Allen aponta certa preferência por Lula, mas ressalta que veículos chineses evitam críticas a Flávio Bolsonaro, destacando preocupação de Pequim em manter boas relações comerciais independentemente do vencedor.
Jornais como Reference News, ligado à agência estatal Xinhua, descrevem a eleição como “uma das mais polarizadas da história do Brasil”. O Global Times considera que Lula teria vantagem nas políticas de bem-estar social, enquanto Flávio Bolsonaro seria favorecido pelos eleitores preocupados com segurança. A imprensa chinesa também destaca a idade avançada de Lula e problemas de saúde, além de mencionar questões envolvendo a família Bolsonaro em processos judiciais no Brasil.
A China ocupa a antepenúltima posição em índice de liberdade de imprensa elaborado pela organização Repórteres Sem Fronteiras, com mais de 100 jornalistas presos, e tem veículos fortemente controlados pelo governo, como Xinhua, China Daily, Global Times e NetEase. Segundo a organização, a linha editorial da imprensa chinesa segue diretrizes oficiais do Partido Comunista, havendo restrições e monitoramento constante de jornalistas e temas sensíveis.



