Da redação
Empreendimentos em territórios indígenas foram tema central no primeiro dia do Acampamento Terra Livre, maior manifestação de povos originários do Brasil, iniciado nesta segunda-feira (6) em Brasília. Com o tema “Nosso futuro não está à venda – a resposta somos nós”, o evento busca pressionar autoridades em defesa dos territórios, reunindo até 8.000 indígenas, como nas edições anteriores.
Na tenda da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), um dos destaques foi o projeto da mineradora canadense Belo Sun, que pretende instalar a maior mina de ouro da história do país na Volta Grande do Xingu (PA). Etnias da região estão acampadas há mais de um mês na sede da Funai em Altamira (PA) contra o empreendimento e participam do acampamento em Brasília.
A indígena Taiani Xypai denunciou que a consulta prévia sobre o projeto não seguiu a Convenção 169 da OIT, não incluindo a comunidade xypai Marapanim, situada a 6 km do projeto de barragem de rejeitos. “Já tem dez anos que a gente luta pelo reconhecimento da comunidade Marapanim e a Funai faz pouco caso”, afirmou. A Belo Sun afirmou em nota que segue todos os ritos legais, e o presidente da empresa, Adriano Espeschit, declarou que o processo teve aprovação das etnias juruna e arara.
Relatório do Ministério dos Povos Indígenas indica que dez comunidades ignoradas no processo de licenciamento solicitaram participação, mas foram excluídas por estarem fora do raio de 10 km do empreendimento. Taiani alertou para agravamento dos impactos ambientais já sofridos com a hidrelétrica de Belo Monte.
Outro foco de protestos foi a Ferrogrão, ferrovia de 933 km entre Sinop (MT) e Miritituba (PA), ligada à empresa Cargill, cuja sede em Santarém foi ocupada por mais de um mês. Nesta quarta-feira (8), o STF deve retomar o julgamento sobre a viabilidade do projeto.







