Por Alex Blau Blau
Queda nos preços dos alimentos e dos combustíveis ajudou a conter o índice, enquanto energia elétrica exerceu a maior pressão sobre o orçamento das famílias
A inflação oficial brasileira apresentou nova desaceleração em julho. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo registrou alta de 0,07% no mês, abaixo dos 0,16% observados em junho, segundo dados divulgados nesta terça-feira, 11 de agosto, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
O resultado de julho foi o menor registrado para o mês nos últimos quatro anos. Com a nova variação, a inflação acumula avanço de 3,44% desde janeiro e chega a 4,44% no período de 12 meses.
O percentual acumulado em 12 meses permanece acima do centro da meta de inflação estabelecida para 2026, de 3%. O intervalo de tolerância é de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que estabelece limite inferior de 1,5% e superior de 4,5%.
Dessa forma, a inflação acumulada permanece dentro do limite máximo estabelecido para o período, embora esteja próxima do teto.
Conta de luz pressiona inflação
A habitação foi o grupo que apresentou a maior alta em julho, com avanço de 0,99%. A energia elétrica residencial teve papel importante nesse resultado, passando de uma elevação de 1,53% em junho para 3,09% em julho.
O aumento foi influenciado pela cobrança da bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 às contas para cada 100 quilowatts hora consumidos, além dos reajustes aplicados por concessionárias em diferentes regiões do país.
Entre os reajustes considerados no período estão aumentos de 8,85% em uma concessionária de São Paulo, 14,89% em Porto Alegre e 19,55% em Curitiba.
A cobrança pelos serviços de água e esgoto também contribuiu para a elevação das despesas relacionadas à habitação.
Planos de saúde também ficam mais caros
Saúde e cuidados pessoais apresentaram alta de 0,40% em julho. Os planos de saúde avançaram 0,42% no período.
O movimento incorpora reajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar. Para determinados contratos posteriores à Lei nº 9.656, de 1998, o reajuste autorizado chega a 5,11%. Em contratos anteriores à legislação, os percentuais autorizados podem alcançar 5,52% ou 6,20%, dependendo do plano.
Combustíveis ajudam a segurar preços
Se a energia elétrica pressionou o índice para cima, os combustíveis seguiram caminho contrário e contribuíram para limitar o avanço da inflação.
O conjunto dos combustíveis apresentou redução de 1,44%. O etanol caiu 2,26%, a gasolina recuou 1,37%, o óleo diesel ficou 1,22% mais barato e o gás veicular apresentou queda de 0,08%.
Tomate e batata registram fortes quedas
Alimentação e bebidas também deram alívio ao consumidor, com redução de 0,67% em julho. Considerando somente a alimentação dentro de casa, a queda chegou a 1,14%.
Alguns produtos tiveram reduções expressivas. O tomate ficou 29,09% mais barato, enquanto a batata inglesa apresentou queda de 19,59%. A cenoura recuou 14,41% e o café moído teve redução de 2,45%.
Nem todos os alimentos ficaram mais baratos. O leite longa vida subiu 2,47% e as frutas tiveram aumento médio de 1,20%.
Comer fora de casa também ficou mais caro. A alimentação fora do domicílio passou de uma alta de 0,15% em junho para 0,55% em julho. Os lanches avançaram 0,76% e as refeições tiveram elevação de 0,42%.
Inflação varia entre diferentes grupos
Além da queda de 0,67% em alimentação e bebidas e da alta de 0,99% em habitação, os artigos de residência avançaram 0,07%.
Vestuário apresentou redução de 0,66%, enquanto transportes tiveram variação positiva de 0,05%. Saúde e cuidados pessoais subiram 0,40%, despesas pessoais avançaram 0,22% e comunicação registrou aumento de 0,04%. Educação apresentou queda de 0,03%.
O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1979 e funciona como principal referência para acompanhar o comportamento dos preços no país.





