Início Mundo Insegurança e choques climáticos agravam situação alimentar em Moçambique

Insegurança e choques climáticos agravam situação alimentar em Moçambique


Da redação

As regiões norte e centro de Moçambique, especialmente as províncias de Cabo Delgado, Nampula, Zambézia, Tete e Sofala, são as mais atingidas pela insegurança alimentar e choques climáticos, segundo análises do Programa Mundial de Alimentos (WFP). O deslocamento causado por conflitos, somado aos impactos de ciclones e à instabilidade climática, tem degradado significativamente os meios de subsistência da população local.

O chefe da equipe de Análise de Vulnerabilidade e Mapeamento do WFP Moçambique, Domingos Reane, destaca que, entre os mais afetados, estão famílias rurais e populações de distritos atingidos por ciclones. Ele afirma que, dos 3,5 milhões de pessoas em insegurança alimentar aguda avaliadas em 108 distritos, cerca de 277 mil estão na chamada Fase 4 – condição caracterizada por grande déficit alimentar e desnutrição aguda elevada, o que exige intervenção urgente.

As avaliações realizadas em abril e setembro de 2025 mostram que todos os grupos enfrentam dificuldades relacionadas à insegurança alimentar. Entre as principais causas, Reane cita a irregularidade das chuvas, secas prolongadas, efeitos de ciclones sucessivos, insegurança e deslocamento devido a conflitos, além do aumento dos preços dos alimentos e a redução do poder de compra das famílias pobres.

Apesar de algumas áreas terem registrado melhorias após a colheita de 2024/2025, especialistas alertam para a necessidade contínua de assistência humanitária para salvar vidas e proteger os meios de subsistência na região.

A projeção para o período de abril a setembro de 2026 indica uma possível redução no número de pessoas necessitando de assistência urgente: de 1,2 milhão para cerca de 529 mil. Contudo, a insegurança alimentar aguda segue sendo um desafio para o governo e seus parceiros, agravada por choques climáticos e a persistente instabilidade no norte do país.