Da redação
As investigações do STF (Supremo Tribunal Federal) contra servidores da Receita Federal intensificaram o clima de desconfiança entre ministros da corte e setores do governo Lula. A crise ganhou força após o ministro Alexandre de Moraes determinar o rastreamento de acessos a dados fiscais de cerca de 140 pessoas, incluindo parentes de magistrados, diante da suspeita de que informações sigilosas teriam sido vazadas para municiar investigações da Polícia Federal relacionadas ao escândalo do Banco Master.
Na última semana, quatro servidores da Receita foram alvo de operação da PF sob suspeita de quebra de sigilo de dados de ministros do STF e familiares. O rastreamento dos acessos confirmou as suspeitas de transferência de informações a terceiros, mas entre os ministros não há desconfiança sobre a participação da cúpula do governo Lula no episódio. Ainda assim, auxiliares do presidente recomendam cautela e afirmam que o acesso ilegal é rastreável pelos sistemas da Receita e não implica envolvimento do alto escalão.
Segundo nota do STF, foram identificados “diversos e múltiplos acessos ilícitos” ao sistema da Receita, seguidos de vazamento de dados. Para aliados do governo, responsabilizar órgãos como Receita e PF pode ser uma estratégia para desqualificar provas que relacionam magistrados ou familiares ao escândalo do Banco Master, cujo prejuízo ao sistema bancário pode ultrapassar R$ 55 bilhões.
A gestão Lula tem buscado mostrar que não interfere nas investigações e tenta blindar o Planalto dos conflitos entre STF, Receita e Polícia Federal. A substituição do relator do caso Master — de Dias Toffoli para André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro — marcou um distanciamento do governo em relação ao processo.
O ambiente de desconfiança se agravou após a divulgação de relatório que sacramentou a saída de Toffoli do caso. Mesmo com a troca de relator, Mendonça limitou o acesso a documentos da investigação, sinalizando que as tensões internas ainda persistem no Supremo.





