Da redação
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou nesta quinta-feira (18) buscas e apreensões na 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga conexões políticas do Banco Master em diversos estados além da Bahia, foco inicial da apuração. As ações envolvem empreendimentos ligados ao empresário Augusto Lima.
Agentes da Polícia Federal recolheram documentos na Terra Firme da Bahia Ltda e na PKL One Participações, empresas associadas a Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Master. A PKL é responsável pelo Credcesta, produto presente em 24 estados e 176 municípios, com foco no oferecimento de crédito consignado a servidores públicos.
Até o momento, as investigações tinham como alvo principal a atuação de Daniel Vorcaro. Segundo executivos do mercado financeiro, o grupo Terra Firme de Lima também possuía relevância na articulação entre o setor público e privado. Lima controlava pessoalmente o Credcesta, acompanhando sua expansão e os contatos com governos estaduais e municipais.
A autorização para buscas na Terra Firme teve como embasamento o envio, por parte de uma secretária da empresa, de fotos de presentes considerados valiosos destinados a Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado. Em relação à PKL, a decisão se fundamentou em uma transferência de R$ 3,5 milhões para a BN Financeira, cuja sócia é Bonnie Toaldo Bonilha, esposa do enteado de Wagner.
No início das investigações, a PF identificou conexões da Terra Firme com associações de servidores da Bahia, apontadas como origem de carteiras de crédito consignado consideradas falsas. Segundo ranking recente, a Terra Firme foi a segunda empresa que mais recebeu dinheiro do Master entre 2022 e 2025, somando R$ 186 milhões, enquanto a ONG Terra Firme ficou em décimo, com quase R$ 74 milhões.
Também foi alvo da operação Andréa Lima Novaes, prima de Augusto Lima, responsável formal pelo Credcesta desde 2018 e com papel relevante na Terra Firme. Em nota, os advogados de Augusto Lima afirmaram que ele está há seis meses à disposição das autoridades, classificaram as diligências como “desnecessárias” e disseram que “as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados são rigorosamente lícitos”.





