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Investigado no caso Master e na Carbono Oculto, fundador da Reag discute delação com o Ministério Público


Da redação

O empresário João Carlos Mansur, ex-dono da gestora de fundos Reag, iniciou tratativas para um acordo de delação premiada com o Ministério Público de São Paulo em novembro do ano passado, relacionado às investigações da Operação Carbono Oculto. A operação apura a infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) na economia formal, especialmente em fraudes, sonegação e lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis, com o uso de fundos de investimentos para ocultar recursos ilícitos.

Mansur começou a negociar a delação meses antes da prisão de Daniel Vorcaro, em 17 de novembro de 2023, também envolvido no caso Master. Ambos têm como advogado José Luís Oliveira Lima, conhecido como Juca, o que alimenta a expectativa de uma possível delação conjunta, a ser negociada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal, desde que não haja conflito de versões.

Em novembro de 2023, a Reag administrava R$ 352 bilhões, segundo a Anbima. Mansur deixou a presidência do Conselho de Administração da gestora em setembro de 2025, após a crise causada pela Carbono Oculto. Ele nega irregularidades na empresa, afirmando à CPI do Crime Organizado que a Reag tinha “compliance forte” e foi penalizada por ser “grande e independente”.

Segundo investigadores, uma proposta de colaboração apresentada por Mansur ao Ministério Público Federal de São Paulo não avançou, mas as discussões prosseguem no âmbito estadual, sem previsão de acordo fechado. Delatar em âmbito estadual indica ausência de investigados com foro privilegiado e que eventuais recursos recuperados seriam destinados ao estado de São Paulo.

A Operação Carbono Oculto foi deflagrada em agosto de 2023, em conjunto com as operações Tank e Quasar, mirando suspeitas de lavagem de quase US$ 10 bilhões do PCC por meio de fundos exclusivos. O Banco Central decretou a liquidação da Reag após nova fase da Operação Compliance Zero em janeiro. Outros investigados no caso, como Fabiano Zettel e os empresários Roberto Augusto Leme da Silva e Mohamad Hussein Mourad, também articulam delações. Procurada, a Reag não quis se manifestar.