Da redação
O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) desacelerou para 0,44% em março, após alta de 0,84% em fevereiro, segundo o IBGE. Apesar do recuo, o resultado, divulgado nesta quinta-feira (26), superou as previsões do mercado, cuja mediana apontava avanço de 0,29%, dentro de um intervalo entre 0,22% e 0,35%. É o segundo mês seguido em que a inflação medida pelo IPCA-15 fica acima das projeções de analistas.
No acumulado de 12 meses até março, o índice registrou alta de 3,9%, contra 4,1% até o mês anterior. O percentual está dentro do teto da meta de inflação do Banco Central para 2026, que é de 4,5%. Entre os destaques, o grupo de educação desacelerou a 0,05%, após elevação de 5,20% em fevereiro, e os combustíveis recuaram 0,03%, com queda nos preços de gás veicular, etanol e gasolina, mas alta de 3,77% no óleo diesel.
O grupo de alimentação, com maior peso no índice, subiu 0,88% em março, ante 0,20% em fevereiro. Alimentos consumidos no domicílio, como açaí (29,95%), feijão-carioca (19,69%), ovos (7,54%), leite longa vida (4,46%) e carnes (1,45%) lideraram os aumentos. O segmento de despesas pessoais também avançou 0,82%, influenciado por gastos com serviços bancários e empregados domésticos.
O setor de transportes foi pressionado por nova alta das passagens aéreas (5,94%), que já tinham subido 11,64% no mês anterior. Para economistas como Natalie Victal (SulAmérica Investimentos) e Gabriel Pestana (Genial Investimentos), o resultado acima das expectativas é reflexo do avanço nos preços de alimentos e passagens aéreas, com previsão de novas pressões devido à guerra no Oriente Médio.
O IPCA-15 serve como prévia da inflação oficial do IPCA, que será divulgado em 10 de abril. O BC reduziu a Selic para 14,75% neste mês, mas analistas esperam cortes mais lentos por causa do contexto internacional. Para o diretor do BC, Paulo Picchetti, o IPCA-15 reforça a tendência de desaceleração inflacionária, embora o órgão projete inflação de 3,9% em 2026, ainda abaixo do teto da meta.





