Da redação
O Sudeste Asiático, incluindo países como Tailândia, Camboja, Vietnã e Mianmar, tornou-se o principal destino do tráfico de brasileiros para exploração laboral, segundo alerta do Ministério das Relações Exteriores (MRE). Em resposta ao aumento de casos, o Itamaraty elaborou uma cartilha em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e a Defensoria Pública da União (DPU) para orientar a identificação de riscos e procedimentos para repatriação de cidadãos já em situação de emergência.
Segundo o documento, a maioria dos aliciados são jovens com conhecimentos em informática, recrutados por meio de redes sociais com falsas promessas de trabalho em call centers ou empresas de tecnologia. As ofertas incluem salários altos, comissões sobre vendas e viagem com passagens e hospedagem pagas, atraindo brasileiros para países como Camboja e Mianmar, considerado um dos destinos mais perigosos devido à guerra civil.
Ao chegarem ao destino, as vítimas se deparam com longas jornadas, privação parcial de liberdade, abusos físicos e são forçadas a atuar em crimes como fraudes virtuais, golpes em jogos de azar e criptomoedas.
“Mesmo após eventual liberação, as vítimas podem enfrentar dificuldades para retornar ao Brasil, sobretudo nos casos em que estejam com o visto vencido, situação em que se faz necessária a obtenção de autorização de saída junto às autoridades migratórias locais, além do pagamento de multa pelo período de permanência irregular”, informou a pasta em nota. O Itamaraty recomenda que brasileiros não aceitem ofertas de trabalho na região que prometam ganhos elevados, contratação rápida ou intermediação informal.
Em 2023, os brasileiros Luckas Viana dos Santos, de 31 anos, e Phelipe de Moura Ferreira, de 26, conseguiram escapar de uma quadrilha de tráfico humano em Mianmar após serem atraídos por uma proposta de emprego vantajosa na região de Myawaddy.






