Da redação
O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) alertou para o aumento de casos em que jovens brasileiros, com conhecimento em informática, são aliciados para supostos empregos em call centers ou empresas de tecnologia no Sudeste Asiático e acabam vítimas de tráfico de pessoas para trabalho análogo à escravidão. As ofertas de emprego vêm principalmente de Camboja, Tailândia, Mianmar e Laos e são direcionadas especificamente a brasileiros.
Segundo o Itamaraty, essas propostas prometem salários atrativos, comissões por “ativos” vendidos e passagens aéreas, mas, ao chegarem aos países, as vítimas são submetidas à exploração, sendo forçadas a aplicar golpes online, fraudes com criptomoedas, esquemas de jogos de azar, falsas relações amorosas para extorsão e a aliciar outros brasileiros. O problema é tratado como de “grave e crescente preocupação” pelas embaixadas do Brasil na região.
Em nota, o ministério afirmou que desde setembro de 2022, a embaixada brasileira em Yangon (Mianmar) vem recebendo notificações de casos envolvendo trabalho forçado. O resgate das vítimas é complexo e depende inteiramente das autoridades locais. Ainda conforme o Itamaraty, mesmo depois de libertadas, as vítimas enfrentam dificuldades para retornar ao Brasil, pois muitas vezes têm o visto vencido, o que exige regularização e pagamento de multa.
O Itamaraty orienta que brasileiros não aceitem ofertas de trabalho no Sudeste Asiático que prometam ganhos elevados, contratação rápida ou intermediação informal. Para auxiliar na prevenção e identificação desses casos, foi produzida, em conjunto com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, uma cartilha e um folheto específico disponíveis no Portal Consular.
O Estadão informou que tentou contato com as embaixadas de Camboja, Tailândia, Mianmar e Laos, sem sucesso até a publicação desta reportagem.






