Da redação
Cerca de 41 milhões de colombianos vão às urnas neste domingo, 31, para escolher o próximo presidente para o mandato de 2026 a 2030. A eleição ocorre em meio à possibilidade de mudança de alinhamento geopolítico do país, que pode seguir próximo aos Estados Unidos ou manter a atual linha do governo Gustavo Petro.
A disputa ganha relevância porque Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda da Colômbia, não pode se reeleger e seu bloco partidário, o Pacto Histórico, busca continuidade. Segundo as pesquisas, os principais concorrentes são Iván Cepeda, da esquerda e aliado de Petro, Paloma Valência, da direita tradicional, e Abelardo de La Espriella, advogado identificado com a extrema-direita.
Iván Cepeda, líder nas pesquisas e visto como nome certo no segundo turno marcado para 21 de junho, é senador, militante de direitos humanos e filho do histórico político Manuel Cepeda Vargas. Ele foi para o exílio entre 1998 e 2004 devido a ameaças e se destacou nas negociações do acordo de paz com as Farc, firmado em 2016.
O pesquisador Matheus Petrelli, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, avalia que Cepeda herda popularidade de Petro e tem trajetória política independente. Segundo pesquisa Invamer, a aprovação de Petro subiu de 23% em 2023 para 49,1% em fevereiro de 2026, refletindo reformas sociais e aumento do salário mínimo em 23%, decidido em dezembro de 2025.
Os principais adversários de Cepeda apresentam plataformas distintas. Abelardo de La Espriella se apresenta como outsider alinhado à extrema-direita e já foi advogado de figuras como Alex Saab e Jorge Visbal. Paloma Valência, do Centro Democrático, defende posições duras contra guerrilhas e propôs nomear Álvaro Uribe para o Ministério da Defesa.
Segurança e combate à violência estão no centro do debate eleitoral. Apesar da tentativa de implementar a política de “Paz Total”, a violência persiste: recentemente, confrontos em Catatumbo expulsaram 52 mil pessoas, e outro conflito deixou 52 mortos às vésperas da votação. Segundo Petrelli, candidatos divergem sobre a melhor estratégia, entre repressão e negociação.





