James Webb detecta galáxia semelhante à Via Láctea surgida logo após o Big Bang


Da redação

Um estudo da Universidade de Pittsburgh (UPitt) identificou a galáxia espiral barrada mais antiga já observada, chamada COSMOS-74706. A descoberta foi feita por uma equipe liderada por Daniel Ivanov, estudante de pós-graduação em física e astronomia, com o auxílio do telescópio James Webb e dados do Instituto de Ciência do Telescópio Espacial (STScI). A confirmação veio por meio do instrumento MOSFIRE, do telescópio Keck I.

Os pesquisadores concluíram que a galáxia existe há mais de 11,5 bilhões de anos. O anúncio oficial dos resultados aconteceu em 8 de janeiro de 2026, durante a 247ª reunião da Sociedade Astronômica Americana, em Phoenix. A equipe explicou que a COSMOS-74706 segue a Sequência de Hubble, caracterizada por braços espirais bem definidos e um bojo central robusto, diferentemente das estruturas irregulares comuns em galáxias primitivas.

A presença da barra central é considerada essencial para a dinâmica e evolução galáctica, pois canaliza gás das extremidades para o núcleo, alimentando o buraco negro central e regulando a formação de novas estrelas.

De acordo com os cientistas, embora já houvesse relatos de galáxias possivelmente mais antigas, esses casos se baseavam em métodos indiretos, como lentes gravitacionais e cálculos pelo desvio para o vermelho, que apresentam margens de erro elevadas. No caso da COSMOS-74706, a idade e a distância foram confirmadas por espectroscopia, considerada uma técnica definitiva para esse tipo de análise.

Segundo Daniel Ivanov, a descoberta permite compreender melhor o momento em que as galáxias atingem maturidade. “Encontrar uma estrutura tão organizada apenas 2 bilhões de anos após o Big Bang mostra que o universo era capaz de abrigar sistemas complexos muito antes do que se imaginava”, afirmou o pesquisador.