Por Alex Blau Blau
Decisão ocorre em meio às investigações da Polícia Federal e abre caminho para que senador concentre esforços em sua defesa e nos compromissos eleitorais
A articulação política do governo federal sofreu uma mudança importante nesta quarta-feira com a saída do senador Jaques Wagner da liderança governista no Senado. A decisão foi tomada após uma reunião entre o parlamentar e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em um movimento que busca reduzir o desgaste provocado pelas recentes investigações envolvendo o nome do senador.
O afastamento ocorre em um momento de forte pressão política dentro da base aliada. Nos últimos dias, integrantes do governo e dirigentes partidários vinham defendendo uma mudança no comando da liderança para evitar que as investigações em andamento gerassem impactos na estratégia política do Palácio do Planalto.
Após o encontro com o presidente, Jaques Wagner anunciou que deixará a função de líder do governo e passará a dedicar atenção integral à sua defesa. O senador também afirmou que pretende concentrar esforços nas articulações eleitorais voltadas à reeleição de Lula, do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, além de sua própria campanha para permanecer no Senado.
A mudança acontece poucos dias depois de o parlamentar ter sido incluído entre os alvos de uma fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. A investigação apura suspeitas relacionadas a operações envolvendo o Banco Master.
Durante o cumprimento das medidas autorizadas pela Justiça, agentes apreenderam valores em moeda estrangeira e diversos relógios. Entre os itens recolhidos estavam aproximadamente 55 mil dólares, cerca de 33,5 mil euros e mais de dez relógios encontrados durante a ação.
Mesmo diante da crescente pressão nos bastidores políticos, Wagner vinha resistindo à possibilidade de deixar o posto. A avaliação de aliados era de que sua permanência poderia ampliar o desgaste do governo em um período de preparação para as disputas eleitorais de 2026.
Com a saída oficializada, o governo inicia agora as discussões para definir quem assumirá a função estratégica de liderança no Senado, considerada uma das principais pontes entre o Palácio do Planalto e a base parlamentar.





