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Jornalista guatemalteco que investigava casos de corrupção deixa a prisão

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Da redação

O jornalista guatemalteco José Rubén Zamora foi libertado na noite desta quinta-feira (12) após decisão judicial que concedeu a ele o direito à prisão domiciliar. Fundador do extinto jornal El Periódico, Zamora, de 69 anos, estava preso desde 29 de julho de 2022, após publicar denúncias de corrupção envolvendo o então presidente Alejandro Giammattei (2020-2024) e a procuradora-geral Consuelo Porras.

Durante três anos e meio, Zamora respondeu a processos movidos pelo Ministério Público da Guatemala, sob acusações de lavagem de dinheiro e falsificação de documentos. Organizações internacionais, como a Anistia Internacional, classificam as denúncias como uma tentativa de silenciá-lo por seu trabalho jornalístico e o declararam “prisioneiro de consciência” em 2024.

Após a audiência, Zamora afirmou à imprensa: “Passei mais tempo na prisão do que o devido, vivi uma situação de tortura, de repressão psicológica, fui uma espécie de cadáver vivo, mas acredito que valeu a pena”. O juiz Maximino Morales justificou a decisão afirmando que o jornalista já cumpriu a pena referente à falsificação documental e, por isso, determinou sua prisão domiciliar, sem necessidade de vigilância.

Apesar da soltura, o jornalista está proibido de sair do país, conforme decisão do juiz após ouvir o Ministério Público e a defesa. Durante o período em que esteve preso, o jornal El Periódico encerrou suas atividades em 2023 em meio a dificuldades financeiras intensificadas pela ausência de Zamora.

A Anistia Internacional sustenta que Zamora é alvo de acusações infundadas e vítima de “um padrão de perseguição penal por motivos políticos” contra jornalistas, operadores da justiça e defensores de direitos humanos engajados no combate à corrupção e à impunidade na Guatemala.