Da redação
Aos 80 anos, José Dirceu (PT), cassado pela Câmara em 2005 no escândalo do mensalão, anunciou que disputará as eleições deste ano para tentar voltar ao Legislativo. Em entrevista, o ex-ministro da Casa Civil afirmou que está otimista sobre a reeleição do presidente Lula (PT), apesar do empate nas pesquisas com Flávio Bolsonaro (PL). Dirceu ressaltou que “o PT tem o que apresentar”, citando estabilidade institucional, inflação baixa e boa condução das relações internacionais nos anos de governo do partido.
Sobre eventual derrota de Lula, Dirceu declarou que o presidente seguirá como líder da oposição, pois considera que Flávio Bolsonaro “não está à altura” do cargo. Ele defendeu que o país precisa de reformas, incluindo mudanças no STF, e afirmou: “Quando uma pesquisa mostra que 70% das pessoas querem que o Supremo mude, a corte tem que fazer uma autorreflexão”.
O petista criticou o foco da campanha em temas de corrupção, dizendo que “o Brasil tem problemas muito mais graves para enfrentar”, como segurança pública e avanço tecnológico. Reforçou que a discussão eleitoral deve se concentrar em propostas para o país, e não apenas em escândalos. Ao mencionar a delação do banqueiro Daniel Vorcaro, Dirceu avaliou que isso pode ser um catalisador de reformas políticas e institucionais no Brasil.
Dirceu também comentou a crise envolvendo o Banco Master e defendeu reformas no Legislativo, Executivo e Judiciário para preservar a democracia. Por fim, negou qualquer chance de Fernando Haddad substituir Lula na corrida presidencial e afirmou: “Nós, do PT, já mostramos que somos capazes de sobreviver a derrotas e reconquistar o governo”.
Natural de Passa Quatro (MG), Dirceu foi líder estudantil, fundador do PT, presidente do partido entre 1995 e 2002, deputado federal e chefe da Casa Civil (2003-2005), sendo cassado e condenado pelo STF no mensalão.







