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Juiz revela: ‘Em mais de três décadas de carreira, jamais enfrentei uma tragédia tão devastadora quanto esta chacina’


Da redação

O julgamento da maior chacina da história do Distrito Federal foi encerrado no sábado (18/4) com um desabafo do juiz Taciano Vogado, presidente do Tribunal do Júri de Planaltina. Com 33 anos de magistratura, Vogado afirmou que jamais enfrentou um caso tão brutal quanto o assassinato de dez pessoas da mesma família. “Em meus 33 anos de tribunal, eu confesso que nunca tive um caso tão grande quanto esse, que trouxesse tanta desgraça para todas as pessoas”, declarou ao proferir a sentença.

O juiz destacou que, apesar da pressão popular e da forte repercussão do crime, o processo seguiu rigorosamente os trâmites legais. Para Vogado, o julgamento representa uma resposta técnica e equilibrada das instituições. “Casos de grande repercussão testam a capacidade das instituições de entregar prestação judicial serena. Venceu a pressão, e essa entrega foi feita dentro do que a ordem jurídica prescreve”, enfatizou.

As penas impostas aos réus somaram séculos de prisão. Gideon Batista de Menezes recebeu 397 anos de reclusão, enquanto Carlomam dos Santos Nogueira foi condenado a 351 anos. Horácio Carlos Ferreira Barbosa cumpre 300 anos de prisão, Fabrício Silva Canhedo, 202 anos, e Carlos Henrique Alves da Silva, dois anos em regime semiaberto.

Durante a leitura da sentença, Vogado também agradeceu aos jurados, cidadãos de Planaltina que participaram do julgamento, e à força-tarefa da Polícia Civil e dos promotores Nathan da Silva, Daniel Bernoulli e Marcelo Leite. “O veredicto pertence a vocês e à comunidade que representam. Sem essa disposição, a soberania popular seria letra morta”, afirmou.

Ao encerrar a sessão por volta das 23h30, o juiz fez um apelo para que o caso fosse tratado com respeito às famílias das vítimas. “Peço à comunidade que preserve o respeito devido às famílias envolvidas. É esse respeito coletivo que dá ao veredicto a legitimidade que a democracia espera”, concluiu Vogado.