Início Brasil Juíza Mariana só foi operada 28 horas após hemorragia de coleta de...

Juíza Mariana só foi operada 28 horas após hemorragia de coleta de óvulos


Da redação

Duas médicas que atenderam a juíza Mariana Francisco Ferreira, que morreu após um procedimento de coleta de óvulos, informaram à Polícia Civil que alertaram várias vezes para a necessidade de uma cirurgia de emergência. O caso ocorreu entre 4 e 6 de maio, em Mogi das Cruzes (SP), após complicações graves.

Mariana realizou a coleta de óvulos na Clínica Invitro Reprodução Assistida na manhã de 4 de maio e voltou para casa. Horas depois, sentiu dores intensas e retornou à clínica, sendo encaminhada ao Hospital e Maternidade Mogi-Mater com hemorragia aguda. Na admissão, apresentava hemoglobina baixa e líquido na cavidade uterina, segundo relatos.

A equipe médica do hospital afirmou, em depoimentos, que recomendou intervenção cirúrgica emergencial diversas vezes, mas o médico Maurício Ligabô, responsável pelo procedimento inicial, teria mantido a conduta de não indicar cirurgia, sustentando o diagnóstico de “hiperestimulação ovariana”. Morfina foi administrada para aliviar as dores, enquanto exames apontavam piora.

De acordo com as médicas, mesmo diante de alterações clínicas e sinais claros de gravidade, Ligabô resistiu em autorizar a cirurgia imediata, optando por novos exames e medicamentos. “Maurício ancorou sua convicção em um diagnóstico de hiperestimulação ovariana, não indicando conduta cirúrgica”, consta em trecho do depoimento à Polícia Civil.

Ligabô teria retornado ao hospital por volta das 18h30 do dia 5, quando outros profissionais reforçaram a urgência da situação. Após paracentese e confirmação de sangramento, Mariana foi encaminhada ao centro cirúrgico por volta das 21h, mas faleceu na manhã do dia 6. O caso foi registrado como morte suspeita e segue sob investigação pela Polícia Civil.

O Hospital e Maternidade Mogi-Mater afirmou que todas as medidas cabíveis foram tomadas desde a admissão da paciente, que foi atendida na UTI. Mariana Francisco Ferreira era juíza desde dezembro de 2023, tendo atuado no Rio Grande do Sul e, mais recentemente, em Sapiranga. As diligências policiais continuam para elucidar os fatos.