Da redação
A candidata Juliana Benício (PSDB-RJ), que já foi secretária de Inovação, Ciência e Tecnologia de Niterói e atua no Instituto Teotônio Vilela, afirmou que a venda da mina de terras raras de Minaçu, em Goiás, para a empresa estrangeira USA Rare Earth, deixará no Brasil apenas a extração do minério, enquanto o valor agregado ficará no exterior. Segundo Benício, toda a riqueza, incluindo emprego qualificado e patentes, será transferida, restando ao país “um buraco no chão”, conforme suas palavras.
Conforme explicou a candidata, a venda da Serra Verde, única produtora em escala comercial de terras raras fora da Ásia, foi financiada diretamente pelo governo dos Estados Unidos. Benício afirmou que a produção da mina em Goiás nos próximos 15 anos já está negociada para os Estados Unidos. Ela reclamou que a negociação, celebrada pelo ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), não prevê nem a obrigação de instalação de fábricas de processamento de terras raras no Brasil, nem transferência de tecnologia.
Benício criticou ainda a concessão de crédito pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a Serra Verde, agora pertencente à USA Rare Earth, alegando que não está claro qual projeto será financiado e que os recursos ainda não foram liberados. Para a candidata, empréstimos baratos do banco estatal para ampliar a mina, sem exigência de processamento ou geração de valor local, favorecem apenas interesses estrangeiros. “O brasileiro vai pagar juros baixos para a empresa americana crescer e tudo o que ela produz hoje vai embora”, declarou.
Em sua avaliação, o governo dos Estados Unidos apoiou a compra da mina visando seus próprios interesses, utilizando recursos públicos para eliminar riscos à iniciativa privada. Benício destacou ser favorável ao investimento estrangeiro, desde que ele respeite interesses estratégicos nacionais. Para ela, negociações sobre terras raras deveriam exigir instalação de fábricas e retenção de parte da produção no país.



