Da redação
Dois homens foram condenados pelo Tribunal do Júri de Salvador pela morte da ialorixá e líder quilombola Bernadete Pacífico, conhecida como Mãe Bernadete, assassinada em 17 de agosto de 2023 em Simões Filho, região metropolitana da capital baiana. Arielson da Conceição Santos, apontado como um dos executores do crime, recebeu pena de 40 anos, 5 meses e 22 dias de prisão pelo homicídio qualificado, agravado por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima.
Marilio dos Santos, conhecido como Maquinista e apontado como mandante do crime, foi condenado a 29 anos e 9 meses de prisão. Ele está foragido e é o único dos cinco denunciados que não foi capturado. Ambos deverão cumprir pena em regime fechado. As defesas anunciaram que vão recorrer. O advogado de Marilio, Fábio Felsembourgh, afirmou que seu cliente é inocente e que “essa tese é tão evidente que não foram apresentadas qualquer prova”.
O julgamento durou dois dias no Fórum Ruy Barbosa e foi concluído na noite de terça-feira (14) sob a condução da juíza Gelzi Maria Almeida Souza Matos. Organizações quilombolas e ativistas do movimento negro protestaram no local. A Anistia Internacional elogiou o veredito, destacando o avanço diante dos altos índices de impunidade em crimes contra defensores de direitos humanos no Brasil.
As investigações indicam que o assassinato foi motivado por disputas territoriais e pela oposição de Mãe Bernadete à expansão do tráfico no quilombo. O Ministério Público afirma que uma barraca de Marilio, usada para comercialização de drogas, foi alvo de denúncias da líder religiosa. Mãe Bernadete já havia recebido ameaças e integrava um programa de proteção estadual.
Outros três homens também foram denunciados e estão presos preventivamente, mas ainda não têm data de julgamento. A ação criminosa resultou em 25 tiros contra a vítima e no roubo de cinco celulares. Em 2024, o presidente Lula assinou decreto reconhecendo a área do quilombo como de interesse social, e o Governo da Bahia quitou a indenização à família de Mãe Bernadete após acordo com a União.






