Da redação
A persistência do fenômeno La Niña provocou chuvas abaixo da média em São Paulo, agravando a severa seca que atinge o estado desde janeiro de 2024. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a ação do La Niña dificulta o avanço de frentes frias e restringe a umidade vinda do Atlântico e da Amazônia, resultando em tempo seco em praticamente todas as estações da Grande São Paulo.
Nos últimos 12 meses, quase todo o território paulista sofre com seca severa ou extrema, exceto o norte do estado, onde a estiagem é considerada apenas severa. Conforme o Inmet, 2025 foi um ano seco, pois as chuvas de verão não repuseram os estoques de água no solo. O meteorologista Leydson Dantas prevê precipitações abaixo da média no primeiro trimestre de 2026 em regiões como sul de Bauru, Itapetininga e metropolitana, mas cita 75% de chance de melhora a partir do segundo semestre, segundo o NOAA, caso o La Niña enfraqueça.
Enquanto São Paulo enfrenta escassez hídrica, o La Niña concentra chuvas excepcionais nos estados do Sul, como Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de Argentina e Uruguai. Na capital paulista e cidades vizinhas, reservatórios operam em níveis críticos: em 16 de janeiro de 2026, o Sistema Integrado Metropolitano registrou 27,7% da capacidade, segundo a Sabesp, patamar semelhante ao de 2016. O Cantareira opera com 19,39% e o Jaguari-Jacareí, com 16,89%.
A Sabesp tem adotado medidas para ampliar a captação no Alto Tietê, uso do Rio Itapanhaú, modernização de equipamentos e redução de perdas. Desde agosto de 2025, o abastecimento à noite foi reduzido ou suspenso em partes da região metropolitana, que tem disponibilidade hídrica de 149 m³ por habitante/ano, abaixo do recomendado internacionalmente. Em 2025, as chuvas ficaram 40% a 70% abaixo do normal, agravadas por alterações climáticas.
A Agência Nacional de Águas (ANA) informou, em atualização de dezembro de 2025 no Monitor de Secas, piora das condições no Nordeste, norte de Minas Gerais e Goiás; já em São Paulo, o norte, centro e noroeste mantêm seca severa, assim como o sul de Minas. Entretanto, houve melhora no oeste e centro-norte paulista, além de recuo das secas em regiões do Sul e Norte do país. No Centro-Oeste, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul tiveram chuva acima da média, apesar de áreas pontuais ainda com seca moderada.






