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Levantamento da ONU mostra que venezuelanos pensam em retornar caso situação no país avance


Da redação

Se as condições socioeconômicas da Venezuela melhorarem, mais de um terço dos venezuelanos que deixaram o país devido à crise e à violência poderão retornar, segundo pesquisa da Agência da ONU para Refugiados (Acnur). Atualmente, 6,9 milhões de venezuelanos vivem em países da América Latina e do Caribe, dos quais 4 milhões necessitam de assistência.

O estudo foi realizado entre janeiro e março deste ano com 1.288 migrantes e refugiados venezuelanos residentes no Brasil, Equador, Peru, Colômbia, Chile e Guatemala. Todos foram questionados sobre a intenção de voltar à Venezuela nos próximos 12 meses a cinco anos. O reencontro com a família é apontado como o principal motivo para o retorno.

Cerca de 9% dos respondentes que desejam retornar pretendem fazê-lo dentro de um ano. Entretanto, dois terços dos entrevistados afirmaram não ter intenção de voltar, citando fatores socioeconômicos e políticos, como mercado de trabalho, segurança e disponibilidade de serviços confiáveis, como determinantes para permanecerem nos países anfitriões.

As comunidades que os acolhem oferecem melhores oportunidades de emprego, segurança e serviços essenciais, dificultando a decisão de retorno. Contudo, os sistemas nacionais desses países seguem sob pressão, e alguns migrantes mencionam os próprios desafios socioeconômicos nos países anfitriões como motivação para considerar a volta.

A pesquisa aponta ainda que quase 60% dos entrevistados citam a falta de informação confiável como um obstáculo. O Acnur reforça que o retorno deve ser seguro, voluntário e informado. Em 2024, a agência necessita de US$ 328,2 milhões para apoiar venezuelanos na região, mas até o fim do mês passado, apenas 12% desse valor havia sido arrecadado.