O secretário-geral da ONU realizou em Genebra, na Suíça, uma reunião informal sobre o Chipre. Participaram do encontro os dois líderes cipriotas, grego e turco, e as potências garantidoras, que são: Grécia, Turquia e Reino Unido.
Após o encontro, António Guterres anunciou que foram alcançados “progressos significativos”.
Senso de compromisso e urgência por ambos os lados
Ele declarou que a construção de confiança para realizar novas reuniões demonstram “senso de compromisso e urgência” por ambos os lados, criando uma “nova atmosfera”.
O líder das Nações Unidas revelou que diversas iniciativas foram aprovadas, como abertura de quatro pontos de passagem, desminagem, a criação de uma comitê técnico sobre juventude, ações climáticas conjuntas, uso de energia solar na zona-tampão e restauração de cemitérios.
Ambos os lados se comprometeram com a continuidade do diálogo e com a indicação de um novo enviado especial da ONU ao país para delinear os próximos passos. A próxima reunião está prevista para julho.
O encontro em Genebra faz parte de um esforço diplomático, iniciado em outubro, focado em abrir um caminho para o fim da disputa territorial que divide o país.
Busca de equilíbrio entre as duas comunidades que compõem o país
Em 2017, logo após assumir a liderança da ONU, António Guterres convocou uma reunião semelhante, mas as negociações acabaram fracassando. Em 2021, houve outra tentativa sem sucesso.
A independência do Chipre ocorreu em agosto de 1960. Um mês depois, o país ingressou na ONU. A ilha, no Mar Mediterrâneo, tem uma população composta por 80% de cipriotas gregos e 18% de cipriotas turcos.
Os acordos, que levaram à independência, faziam a distinção entre as duas comunidades e buscavam um certo equilíbrio entre seus respectivos direitos e interesses. Grécia, Turquia e Reino Unido forneceram uma garantia multilateral dos artigos básicos da Constituição.
O documento também garantiu a participação de cada comunidade no exercício das funções do governo assegurando a autonomia administrativa parcial a ambos os lados, mesmo assim, as tensões continuaram.
Membros do contingente canadense da Força de Manutenção da Paz da ONU em Chipre em um veículo blindado LYNX patrulhando a zona-tampão da “Linha Verde” em Nicósia em 1974 (arquivo)
Intervenção da comunidade internacional
A Força de Manutenção da Paz das Nações Unidas no Chipre, Unficyp, foi criada pelo Conselho de Segurança em 1964 para evitar combates entre as comunidades cipriota grega e cipriota turca.
Porém, em 1974, grupos favoráveis à união com a Grécia deram um golpe de Estado, que foi respondido com uma intervenção militar da Turquia, cujas tropas estabeleceram o controle sobre a parte norte da ilha.
Desde o cessar-fogo entre os dois lados, em agosto de 1974, a Missão de Paz supervisiona as linhas de cessar-fogo, fornece assistência humanitária e mantém a zona-tampão entre as forças turco-cipriotas e greco-cipriotas.
Em 31 de janeiro de 2025, o Conselho de Segurança estendeu, por unanimidade, por mais um ano, o mandato da Unficyp.
A decisão ressalta a necessidade de evitar quaisquer ações unilaterais que possam prejudicar as perspectivas de uma solução pacífica.






