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Líderes do CV e PCC negociaram pacto por mensagens no WhatsApp, diz investigação

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Da redação

Uma breve aliança entre o Comando Vermelho (CV) e o PCC (Primeiro Comando da Capital), articulada por meio de conversas no WhatsApp entre líderes das duas facções, ocorreu no início de 2025. A Polícia Civil do Rio de Janeiro revelou detalhes desse acordo em investigação deflagrada na quarta-feira (11). Apesar de o acordo ter sido rompido cerca de dois meses depois, atualmente há um pacto informal entre os grupos para evitar confrontos, apesar de episódios pontuais de violência.

A negociação pelo lado do Comando Vermelho ficou a cargo de Edgar Alves, o Doca, considerado chefe da organização nas ruas. O representante do PCC aparece nas mensagens identificado apenas como “São Paulo”. No dia 25 de fevereiro de 2024, eles trocaram mensagens e Doca recebeu o elogio: “Hoje é um dia histórico parça. Só nós sabemos o bem que estamos fazendo para gerações vindouras. Sem palavras. Orgulho de vc, conta com nós sempre”. Doca respondeu em áudio: “É nós, meu irmão, estamos juntos”.

Ainda no diálogo, Doca enviou um estatuto atualizado da facção, no qual destacou regras de não agressão ao PCC. Segundo análise da reportagem, o estatuto foi produzido 93% por inteligência artificial. O artigo 2 cita como pilares do CV liberdade, respeito, justiça, união e respeito às organizações rivais. O documento detalha a hierarquia do conselho do CV, composto por 13 pessoas, com presidência atribuída pela polícia a Márcio Nepomuceno, o Marcinho VP, preso em presídio federal. Sua defesa nega que ele comande a facção.

O estatuto também inclui um “Código de Conduta e Proibições” com punições que vão de advertência verbal à pena de morte, dependendo da gravidade da infração. O texto prega que o Comando Vermelho é uma “instituição progressista”, voltada à luta contra opressão e autoritarismo, e justifica o crime como opção quando suas “vozes não são ouvidas”, buscando progresso para futuras gerações.

A união encerrou quase dez anos de distanciamento após o assassinato de Jorge Rafaat Toumani, em 2016, atribuído ao PCC. O pacto ruiu em abril de 2024 após críticas de advogados do PCC às práticas violentas do CV, como o assassinato brutal de um turista de Brasília e disputas por rotas de drogas.