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Livro reúne especialistas para analisar mobilidade humana e mudança do clima no Brasil


Da redação

O livro Migração, Deslocamento e Realocação Planejada Relacionados à Mudança do Clima no Brasil foi lançado em 2024 como fruto da parceria entre a OIM e a Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais (Rede Clima/MCTI). A publicação busca fortalecer o debate público sobre a relação entre mobilidade humana e mudanças climáticas no país.

Segundo o estudo, regiões como Amazônia e Nordeste apresentam maior sensibilidade à migração climática, enquanto há carência de dados para áreas como o Centro-Oeste. O objetivo do livro é dar visibilidade às pesquisas já realizadas, revelar lacunas de conhecimento e apontar caminhos inovadores para o fortalecimento desse campo de estudo no Brasil.

Coordenada por Alisson Barbieri, da UFMG e Rede Clima, e Débora Castiglione, da OIM, a obra reúne mais de 20 especialistas. São apresentadas análises, estudos de caso e recomendações para políticas públicas. “Conceitos como mobilidade climática, refugiados climáticos, desabrigados e desalojados têm sido cada vez mais associados aos impactos de eventos extremos”, pontua Barbieri.

A publicação enfatiza a importância de alinhar ciência e políticas para enfrentar impactos de eventos extremos, especialmente junto a populações tradicionais ou vulneráveis. Castiglione destaca que o livro representa “um passo fundamental para apoiar políticas públicas baseadas em evidências, que incorporem a mobilidade como parte das estratégias de adaptação, com base na justiça climática e na proteção dos direitos humanos”.

O livro traz estudos regionais, como o impacto de secas na Amazônia, onde 97% dos municípios sofreram seca moderada em 2023/2024, e na migração rural-urbana no Nordeste. Casos de Belo Horizonte e comunidades caiçaras em São Paulo ilustram deslocamentos urbanos programados e realocações autônomas frente a desastres e erosão.

Entre os conceitos analisados está a “imobilidade involuntária”, que trata de grupos impossibilitados de migrar mesmo diante de riscos climáticos. A obra encerra propondo a ampliação de pesquisas, dados de qualidade e ações colaborativas para compreender decisões migratórias em cenários climáticos adversos. A ministra Luciana Santos reforça a importância de a ciência mapear lacunas e desafios desse contexto.