Início Política Lula denuncia agressão a policial brasileiro nos EUA durante discurso na Alemanha

Lula denuncia agressão a policial brasileiro nos EUA durante discurso na Alemanha


Da redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (21), em Hannover, que o governo brasileiro poderá adotar medidas contra policiais americanos no Brasil, caso seja comprovado abuso envolvendo o delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo, adido em Miami. Ivo foi envolvido no episódio que resultou na prisão do ex-delegado federal e ex-deputado Alexandre Ramagem (PL), realizada pelo ICE, agência de imigração dos EUA, na semana passada. Ramagem, foragido da Justiça brasileira, foi libertado dois dias depois, em 15 de maio.

“Se houve um abuso das autoridades americanas com nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com os deles no Brasil”, declarou Lula, ao deixar o hotel em Hannover, onde participou da Hannover Messe, maior feira industrial do mundo, com o Brasil como país homenageado. O presidente afirmou que o Brasil quer agir da maneira correta, mas não aceita “ingerência que alguns personagens querem ter em relação ao Brasil”.

O Departamento de Estado dos EUA alegou, em publicação feita pela Embaixada dos EUA no Brasil, que um funcionário brasileiro teria tentado manipular o sistema de imigração americano. “Solicitamos que o funcionário brasileiro relevante deixe nossa nação por tentar fazer isso”, diz o comunicado. Declaração idêntica foi divulgada pelo escritório de relações ocidentais do órgão.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, lamentou o episódio e afirmou que Ivo atuava em Miami dentro de um memorando de entendimento com autoridades americanas. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, também presente na Alemanha, declarou que Ivo estava há dois anos na função, exercendo uma atividade comum realizada em 34 países, e negou que o policial esteja sendo trocado antes do prazo previsto.

Lula encerrou nesta terça-feira sua visita à Alemanha e segue para Portugal, onde será recebido pelo primeiro-ministro Luís Montenegro e pelo presidente António José Seguro. A comitiva retorna a Brasília ainda nesta terça-feira.