Da redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve defender a não interferência estrangeira em assuntos internos de outros países durante seu discurso na 81ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova York, segundo o embaixador Carlos Márcio Bicalho Cozendey, secretário de Assuntos Multilaterais Políticos do Itamaraty. A fala ocorre em meio a preocupações do governo brasileiro sobre possível atuação dos Estados Unidos em favor do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), provável adversário de Lula em eventual segundo turno.
Ainda conforme Cozendey, a expectativa é de que Lula reforce sua defesa do multilateralismo e das negociações de paz, além do direito internacional humanitário. O discurso é considerado estratégico “em função do momento do governo” e do aumento de conflitos internacionais. O embaixador acrescentou que a fala, definida pela Presidência, pode ser alterada até o último momento e que não há previsão de encontro bilateral entre Lula e o presidente Donald Trump durante o evento.
A relação entre os dois países passa por tensão devido a tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos nacionais, que chegam a 37,5%, sendo 25% atribuídos a supostas práticas comerciais desleais e outros 12,5% por alegadas falhas no combate ao trabalho forçado. Lula classificou as medidas como “infundadas”. Recentemente, a Casa Branca também incluiu o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas, decisão criticada por Lula, mas apoiada por Flávio Bolsonaro.
Durante a visita a Nova York, Lula deve encontrar o secretário-geral da ONU, António Guterres, para discutir temas como a Iniciativa ONU80 e o Conselho de Segurança. O Itamaraty informou ainda que o petista pode participar de outras reuniões bilaterais, mas elas seguem em negociação, sem confirmação até o momento.





