Da redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em contato de uma hora e vinte minutos mediado diretamente pelas presidências. A conversa ocorreu no Palácio da Alvorada, com participação dos ministros Mauro Vieira, Celso Amorim, Audo Faleiro e Laércio Portela, segundo o Palácio do Planalto. Lula buscou fortalecer a relação bilateral, retomando diálogo direto com Trump, que declarou ter “gostado do papo” e concordou em manter o canal aberto entre ambos.
De acordo com integrantes do governo brasileiro, a estratégia visa evitar turbulências registradas em contatos com outros escalões americanos, considerados mais hostis pelo Planalto. Para aliados de Lula, o contato direto entre presidentes pode “desarmar a oposição” e dificultar eventuais manifestações públicas de Trump contra o petista durante a campanha eleitoral, embora não exclua posicionamentos de outros membros do governo norte-americano.
Na conversa, Lula e Trump trataram da relação comercial, das guerras em andamento e do papel das Nações Unidas. Houve divergências sobre o tarifaço imposto pelos EUA e a classificação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho como terroristas. Segundo participantes, o debate ocorreu de forma construtiva e Trump manifestou disposição em escalar altos funcionários para retomar negociações. Apesar do descongelamento do diálogo, o governo brasileiro não espera mudanças imediatas nessas questões.
Entre os antecedentes, o Planalto vê o Departamento de Estado como um dos principais polos de tensão nas relações bilaterais, especialmente sob a liderança do secretário de Estado Marco Rubio, reconhecido interlocutor da oposição brasileira. A Casa Branca não comentou o conteúdo da chamada. O telefonema foi realizado após reuniões reservadas e citações elogiosas de ambos os lados sobre contatos anteriores, como a visita de Lula a Washington e encontros durante Assembleia Geral das Nações Unidas.





