Da redação
O governo Lula (PT) intensifica as articulações para impulsionar no Congresso o projeto de lei que extingue a escala de trabalho 6×1. O Palácio do Planalto vê na proposta uma pauta de forte apelo popular, que pode fortalecer as chances de reeleição do presidente em outubro. A estratégia passa pela reaproximação com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), visto como peça-chave para destravar a votação.
Hugo Motta retomou, recentemente, o diálogo com o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ). Segundo interlocutores, é Lindbergh quem lidera as conversas para tentar viabilizar a votação do fim da escala 6×1, argumentando que o tema é popular e pode projetar Motta como protagonista. Embora Motta tenha sinalizado, no final de 2025, disposição para discutir o assunto, ainda não deu garantias sobre a pauta.
O Planalto, contudo, avalia que empresários, principalmente do setor de serviços, devem reagir contra a proposta. Além disso, governistas reconhecem que, mesmo com apoio de Motta, não há certeza de aprovação, já que o presidente da Câmara exerce hoje menos controle do plenário do que seu antecessor, Arthur Lira (PP-AL).
A proposta apoiada pelo governo foi relatada pelo deputado Léo Prates (PDT-BA). O texto prevê redução da jornada semanal de até 44 para até 40 horas, com dois dias consecutivos de descanso remunerado. O projeto veda corte salarial e estipula transição de dois anos: 42 horas semanais em 2027 e 40 horas a partir de 2028.
O fim da escala 6×1 é uma das prioridades do governo Lula no Congresso, ao lado da MP do Programa Gás do Povo e da PEC da Segurança Pública. O Planalto tem até meados de junho para avançar nessas agendas, devido ao calendário das eleições de outubro.






