Da redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitou, nesta quinta-feira (28), um levantamento detalhado sobre o impacto econômico da decisão dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A medida, anunciada pelo governo de Donald Trump, preocupa o Planalto quanto a possíveis consequências para o Brasil.
Lula teria a intenção de utilizar o episódio para reforçar seu discurso em defesa da soberania nacional, especialmente desde a imposição de sanções americanas ao Brasil. A expectativa, segundo assessores, é que o presidente aborde o tema durante evento da Petrobras previsto para esta sexta-feira (29) em Sergipe, ampliando o debate sobre o posicionamento brasileiro.
O presidente foi informado do anúncio enquanto despachava com o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães. Na ocasião, demonstrou insatisfação diante do que chamou de decisão impulsionada por articulação política do campo bolsonarista, destacando o envolvimento do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) como alguém que apoiou e articulou junto ao governo americano.
Integrantes do governo consideram que a medida americana sugere possibilidade de interferência nas eleições, uma vez que, segundo eles, o anúncio favorece o pré-candidato do PL. Ainda conforme a avaliação interna, a designação das facções como terroristas era cogitada há meses, mas havia expectativa de trégua após encontro recente entre Lula e Trump na Casa Branca.
Lula decidiu aguardar um diagnóstico mais preciso dos possíveis efeitos econômicos antes de adotar um posicionamento público. O presidente encaminhou pedidos de análise para os ministérios da Fazenda, da Justiça, além da Advocacia-Geral da União (AGU) e do Itamaraty, solicitando informações técnicas e eventuais respostas diplomáticas à nova política americana.
O governo brasileiro avalia que a classificação pode afetar investimentos estrangeiros e o setor do turismo. Interlocutores do Planalto veem a decisão como um desdobramento de pressões políticas externas e ressaltam que Flávio Bolsonaro esteve nos Estados Unidos esta semana, encontrando-se com Trump e outros membros do governo, incluindo o vice-presidente americano J. D. Vance.





