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Mais da metade dos negócios em favelas foi aberta a partir da pandemia


Da redação

A designer Ligia Emanuel da Silva abriu, há cerca de quatro anos, o Entorno Acessórios, pequeno negócio localizado em um território potiguara, na cidade de Rio Tinto, litoral norte da Paraíba. A iniciativa surgiu durante a pandemia de covid-19, quando Ligia decidiu transformar a produção de adornos inspirados na cultura, estética e ancestralidade africanas em fonte de renda. As primeiras peças foram criadas com miçangas que pertenciam à sua mãe.

“Eu já fazia para mim e passei a fazer para adornar outros corpos”, contou Ligia à Agência Brasil. Trabalhando sozinha e utilizando as redes sociais para divulgar o negócio, ela explica que os adornos são fundamentados em saberes tradicionais, envolvendo trabalho manual com miçangas e arames: “Quando a gente se adorna com os nossos símbolos, nossos elementos estéticos-culturais, a gente articula um discurso sobre quem somos e de onde viemos.”

Ligia faz parte de um movimento de empreendedorismo que cresceu nas favelas durante a pandemia. Dados de pesquisa do Data Favela, ligado à Central Única das Favelas (Cufa), mostram que 56% dos negócios nas favelas começaram após fevereiro de 2020. Segundo o estudo, 12% foram abertos até abril de 2022 e 44% a partir de maio de 2022, período posterior ao término do estado de emergência em saúde.

A pesquisa, encomendada pela empresa VR, ouviu 1 mil empreendedores de favelas, em outubro e novembro de 2025. O levantamento revelou que 23% faturam até um salário mínimo (R$ 1.518) e 28% entre um e dois salários, totalizando 51% com rendimentos de até R$ 3.040. Apenas 5% têm receita superior a R$ 15,2 mil.

O estudo ainda aponta que 57% dos negócios gastam até R$ 3.040 mensais para funcionar. Para o Data Favela, “leva a supor que os gastos são equivalentes ao que essas pessoas faturam mensalmente”, destacando o desafio do equilíbrio financeiro nesses empreendimentos.