Início Mundo Mais mulheres tornam-se vítimas de deepfakes gerados por inteligência artificial

Mais mulheres tornam-se vítimas de deepfakes gerados por inteligência artificial


Da redação

Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, em 8 de março, a ONU Mulheres alerta para o crescimento alarmante dos chamados deepfakes: vídeos, imagens e áudios manipulados por inteligência artificial. Segundo pesquisa da agência da ONU, 98% de todos os deepfakes online são pornografia não consensual envolvendo mulheres. Algumas vítimas relatam receber centenas de imagens falsas viralizadas de um dia para o outro, muitas vezes sem qualquer punição aos agressores, já que a legislação mundial em geral não acompanha a evolução do crime.

Em 2023, relatório apontou que 99% dos vídeos de pornografia deepfake retratam mulheres, e sua quantidade aumentou 550% desde 2019. As ferramentas para criar esses conteúdos estão acessíveis, muitas vezes gratuitas e fáceis de usar. Países como Brasil, Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido já aprovaram leis para responsabilizar autores e plataformas, mas menos da metade das nações possuem normas específicas para deepfakes. No Brasil, uma mudança no Código Penal em abril de 2025 tornou crime a violência psicológica contra mulheres praticada por meio de IA.

Casos de grande repercussão, como o da jornalista britânica Daisy Dixon, que teve imagens sexualizadas criadas por IA publicadas no X (antigo Twitter) em dezembro de 2025, ganharam destaque e evidenciam a lentidão das plataformas em agir. Muitas vítimas relatam pensamentos suicidas e se isolam, já que expor o abuso significa reviver o trauma diante de autoridades e correr risco de exposição ainda maior ou retaliação.

As dificuldades para remoção das imagens, a falta de responsabilização das plataformas e a complexidade das investigações — que exigem perícia digital e coordenação internacional — resultam em impunidade e retraumatização das sobreviventes. A ONU Mulheres reforça que penas mais claras, monitoramento das plataformas, apoio jurídico e acolhimento às vítimas, além de educação digital preventiva, são medidas urgentes diante de uma crise crescente e com forte recorte de gênero.

“Os sistemas concebidos para proteger as pessoas estão a falhar, enquanto as ferramentas para causar danos se tornam rápidas, baratas e acessíveis”, alerta a organização, conclamando governos, empresas e sociedade a agir para mudar o cenário.