Da redação
Na madrugada deste sábado (14), manifestantes antigoverno atacaram um escritório do Partido Comunista em Morón, região central de Cuba, segundo o jornal estatal Invasor. O ato teve início na noite de sexta-feira, como protesto pacífico contra cortes de energia e escassez de alimentos, mas tornou-se violento após confronto com autoridades locais.
Vídeos divulgados nas redes sociais mostram um incêndio no escritório e manifestantes arremessando pedras contra janelas do prédio sob gritos de “liberdade”. A Reuters confirmou a localização de um dos vídeos em Morón, a cerca de 400 km a leste de Havana, próximo ao resort de Cayo Coco. No entanto, a data exata do registro visual não foi confirmada.
Os protestos decorrem de apagões frequentes, agravados pelo bloqueio de petróleo dos Estados Unidos à Venezuela, principal abastecedora da ilha. Desde a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro em janeiro, o presidente americano Donald Trump suspendeu o envio de petróleo a Cuba e ameaçou tarifar outros países fornecedores, o que intensificou a crise e a escassez de combustível, eletricidade, alimentos e medicamentos.
Na sexta-feira, o governo cubano anunciou o início de negociações com Washington para aliviar a crise. Em Cuba, manifestações violentas são incomuns; apesar de a Constituição de 2019 garantir o direito ao protesto, ainda não há legislação específica sobre o tema, mantendo os manifestantes em um limbo jurídico.
De acordo com o Invasor, um grupo menor depredou a entrada do prédio e ateou fogo em móveis da recepção na rua. Farmácias e um mercado estatal também foram atacados. Morón já foi palco de protestos importantes, como em 11 de julho de 2021, e recentemente registrou manifestação estudantil na Universidade de Havana devido à suspensão de aulas presenciais por falta de combustível.






