Da redação
O sistema tradicional de cultivo sombreado da erva-mate (Ilex paraguariensis) no centro-sul do Paraná foi reconhecido em maio de 2025 como Sistema Importante do Patrimônio Agrícola Mundial pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). A produção ocorre sob o dossel da floresta nativa, sem desmatamento, sustentando a agricultura familiar e preservando a cobertura florestal da Mata Atlântica, um dos biomas mais ameaçados do país.
Segundo a FAO, esse modelo alia produção agrícola, conservação da biodiversidade e fortalecimento da organização social. O Brasil está entre os principais produtores e exportadores mundiais de erva-mate, ao lado de Argentina e Paraguai. Práticas agroflorestais como a manutenção da vegetação nativa e a regeneração de espécies permitem a continuidade das funções ecológicas e da atividade econômica em regiões como as comunidades de Pontilhão e Paço do Meio, onde mais de 130 famílias dependem da erva-mate para cerca de 70% da renda.
Os produtores adotam práticas agroecológicas, com proteção das fontes de água, manejo sustentável e ausência de agroquímicos. O conhecimento sobre colheita e manejo é transmitido entre gerações, garantindo a sustentabilidade do sistema. A colheita ocorre a cada três anos, respeitando o ciclo ecológico das plantas, e inclui o cultivo e proteção de espécies nativas como a araucária, a imbuia e a canela-guaicá.
A biodiversidade é um elemento central: a erva-mate cresce entre árvores frutíferas, plantas medicinais e nativas, formando um ambiente com múltiplas camadas. Esse equilíbrio reduz a incidência de pragas, diferentemente das áreas de monocultura, limitando a necessidade de insumos químicos.
A erva-mate tem papel histórico e cultural junto à população indígena Guarani, que a chama de ka’a e utiliza em rituais e manejo coletivo da floresta. A distinção concedida pela FAO destaca a importância das comunidades locais na conservação ambiental, geração de renda e preservação de práticas culturais seculares.







