Da redação
O MDB, partido mais longevo em atuação ininterrupta no Brasil, completa 60 anos nesta terça-feira (24) com 2 milhões de filiados, o maior número entre as 30 siglas do país. Fundado em 24 de março de 1966 como oposição consentida à ditadura militar, o partido enfrenta atualmente desafios como a fragmentação partidária, envelhecimento de seus quadros e perda de espaço nas prefeituras.
Após o pior desempenho eleitoral em 2018, o MDB recuperou força em 2022 elegendo 42 deputados federais e busca novo crescimento nas eleições municipais deste ano. “O MDB é um partido mais estável porque tem um estatuto e uma democracia interna que dá menos mobilidade para mudanças de rumo, mas dá a estabilidade para que a gente valorize nossa base municipalista e nossa bandeira de defesa da democracia”, afirma o presidente nacional, Baleia Rossi (SP).
O partido foi protagonista de momentos marcantes na política nacional, como a “anticandidatura” de Ulysses Guimarães à Presidência em 1973, gesto simbólico de oposição ao regime militar. O MDB teve atuação decisiva na redemocratização, apoiou a Constituição de 1988, e governou o país com José Sarney (1985-1990) após a morte de Tancredo Neves, eleito no colégio eleitoral.
A sigla participou de governos do PSDB e do PT, foi fundamental no impeachment de Dilma Rousseff em 2016, quando o vice Michel Temer assumiu a Presidência. No entanto, em 2018, teve queda acentuada e perdeu quase metade da bancada federal, reflexo da onda bolsonarista.
Em 2022, voltou ao governo federal com três ministros, mas permanece indefinido para as eleições de outubro. Segundo Baleia Rossi, a tendência é de neutralidade na disputa presidencial, com parte do partido apoiando Lula (PT), outra Flávio Bolsonaro (PL) e articulação de candidaturas próprias em nove estados.





