Da redação
Médicos britânicos alertaram nesta terça-feira, 26 de maio, que as mídias sociais expõem crianças a riscos equivalentes ao tabagismo. O alerta foi apresentado durante consulta pública do governo do Reino Unido sobre proteção infantil online, encerrada no mesmo dia, visando combater possíveis danos causados pelo tempo excessivo de tela.
A Academy of Medical Royal Colleges enfatizou que poucos temas uniram tanto a classe médica como a preocupação com a exposição irrestrita de crianças à tecnologia e aos dispositivos digitais. O órgão representa associações profissionais e faculdades de especialidades médicas do Reino Unido e da Irlanda e relacionou tais danos ao fumo e ao uso de cintos de segurança.
Segundo a entidade, mais da metade dos 132 médicos entrevistados relataram observar, semanalmente, pelo menos um caso de dano à saúde provavelmente ligado ao uso excessivo de tecnologia. Mais de um terço afirmou identificar esse tipo de quadro várias vezes por semana, mostrando preocupação recorrente entre os profissionais.
Os danos observados vão desde lesões físicas, em casos envolvendo reprodução de atos vistos em pornografia extrema, até impactos na saúde mental, como traumas resultantes de violência online. O governo britânico avalia medidas como proibição do acesso para menores de 16 anos, toques de recolher digitais, limites de uso e restrição a recursos de design considerados viciantes.
Ainda não há consenso entre especialistas sobre a efetividade de uma proibição total das mídias sociais. De acordo com relatos, um grupo de jovens em Londres manifestou oposição às restrições, enquanto centenas de famílias no Reino Unido participam de testes com bloqueios e limitações para analisar efeitos sobre sono, vida familiar e desempenho escolar.
Em 2023, a Austrália se tornou o primeiro país a proibir mídias sociais para menores de 16 anos, e nações europeias discutem iniciativas semelhantes. A lei de segurança online do Reino Unido exige medidas para proteger crianças de conteúdos ilegais e prejudiciais, mas autoridades sinalizam ações mais rigorosas à vista.






