Por Alex Blau Blau
Discussão interna envolve a proposta de encerrar imediatamente as apostas digitais e ocorre na última semana antes do primeiro turno das eleições
A decisão do presidente Lula de avançar com uma medida provisória para atingir o funcionamento das apostas pela internet provocou divergências dentro do comando de sua campanha à reeleição. A proposta deve ser anunciada oficialmente nesta sexta feira, 25 de setembro, em São Paulo.
Segundo as informações disponíveis, a iniciativa é considerada por integrantes da campanha como uma ação com potencial de repercussão política na reta final do primeiro turno. O formato escolhido, entretanto, não encontrou consenso entre os principais responsáveis pela estratégia eleitoral.
O presidente do PT, Edinho Silva, manifestou posição contrária à possibilidade de extinguir as apostas digitais de maneira total e imediata. Nas discussões internas, ele teria defendido que mudanças dessa dimensão fossem encaminhadas ao Congresso Nacional por meio de um projeto de lei.
Mesmo diante da alternativa de utilização de uma medida provisória, Edinho teria defendido a criação de um período de transição antes da entrada em vigor das novas regras.
Uma das preocupações apresentadas está relacionada aos possíveis efeitos imediatos da decisão sobre o futebol brasileiro, setor que mantém contratos e diferentes relações comerciais com empresas de apostas. O receio é de que uma mudança abrupta provoque dificuldades justamente no fim de semana que antecede a votação.
A discussão também expõe diferenças entre Edinho Silva e Sidônio Palmeira dentro da condução da campanha presidencial. As divergências ganharam maior visibilidade à medida que a disputa eleitoral entrou em seus últimos dias antes do primeiro turno.
Até a noite desta quinta feira, a orientação atribuída a Lula era pela adoção de uma medida mais ampla e imediata contra as apostas pela internet. O anúncio está previsto para as 17h desta sexta feira, quando deverão ser conhecidos os detalhes e o alcance da proposta.
A iniciativa ocorre em um momento no qual Lula e sua campanha ampliaram o espaço dedicado ao tema das apostas. O assunto passou a integrar o discurso eleitoral do presidente, especialmente nas discussões relacionadas ao endividamento das famílias e aos impactos sociais provocados pelo crescimento desse mercado.



