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Medidas na pesca podem reduzir em até 90% mortes de albatrozes no Brasil


Da redação

Albatrozes e petréis marinhos, considerados entre as aves mais ameaçadas do mundo, são alvo de esforços de conservação no Brasil devido à elevada mortalidade causada pela pesca de espinhel. Neste 19 de setembro, Dia Mundial do Albatroz, pesquisadores e entidades ambientais destacam a urgência de medidas de proteção para essas espécies oceânicas.

Das 22 espécies de albatrozes conhecidas, metade frequenta águas brasileiras em busca de alimento e condições favoráveis. Conforme especialistas, cerca de 300 mil aves marinhas são capturadas de forma incidental por espinheis no mundo anualmente, das quais entre 30 mil e 40 mil são albatrozes e petréis. No Brasil, aproximadamente 4 mil albatrozes morrem por ano, principalmente no litoral Sul.

Tatiana Neves, bióloga e coordenadora do Projeto Albatroz, defende a adoção rigorosa de práticas mitigadoras pelas frotas pesqueiras. Entre as soluções, destacam-se a largada noturna dos anzóis, o uso de pesos de chumbo nas linhas e o toriline, uma linha dotada de fitas coloridas para afastar aves. Segundo Neves, a aplicação simultânea dessas medidas pode reduzir em até 90% a captura acidental.

O Projeto Albatroz, patrocinado pela Petrobras desde 2006, concentra-se exclusivamente na conservação dessas aves, mantendo bases de pesquisa em quatro estados. Em 2023, o projeto inaugurou em Cabo Frio (RJ) o primeiro Centro de Visitação e Educação Ambiental Marinha para sensibilização e pesquisa em uma área de alta incidência de albatrozes e petréis.

A principal iniciativa nacional é o Plano de Ação para Conservação de Albatrozes e Petréis, coordenado pelo ICMBio e coexecutado pelo Projeto Albatroz, que estabelece estratégias para reduzir a captura acidental e proteger áreas reprodutivas. O Ibama fiscaliza o uso de pesos padronizados nos portos, mas encontrar meios eficientes de controle em alto-mar é apontado como desafio.

Para enfrentar esse obstáculo, Ibama e ICMBio trabalham em sistemas de verificação por satélite. O Programa Parceiros do ICMBio também testou câmeras em embarcações de Natal (RN), experiência já apresentada internacionalmente. Especialistas ressaltam, porém, que ampliar o monitoramento e fortalecer as políticas públicas ainda é fundamental para a efetiva proteção das aves marinhas no Brasil.