Início Mundo Meloni rompe com Trump e direciona política externa italiana para novas alianças

Meloni rompe com Trump e direciona política externa italiana para novas alianças


Da redação

A relação entre a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sofreu uma ruptura pública após meses de tensões envolvendo divergências de interesses entre os dois países, provocações do presidente americano e reações do eleitorado italiano. Segundo especialistas, a situação aponta para o enfraquecimento da política externa da Itália e a necessidade de Meloni rever suas estratégias de interlocução internacional.

O distanciamento se intensificou após o ataque de Israel e Estados Unidos ao Irã, quando a Itália foi afetada pela alta dos preços de energia e se recusou a autorizar o uso de uma base aérea na Sicília por aviões americanos. Meloni também considerou inaceitáveis as críticas de Trump ao papa Leão 14, agravando o desgaste na relação. Segundo Leo Goretti, especialista em política externa italiana, a derrota do governo em um referendo sobre o Judiciário motivou Meloni a se afastar de Trump em razão do dissenso no eleitorado: “Meloni teve que tomar distância, e sabemos que o presidente dos EUA não gosta de ser contrariado”.

O rompimento ficou público com acusações de Trump, nas quais afirmou que Meloni teria implorado por uma foto ao seu lado durante o G7 na França, o que foi negado pela líder italiana. Em novo episódio, Trump insinuou perseguição de Meloni antes da reunião da Otan. Em resposta, Meloni declarou em 8 de julho que “não me arrependo de nada”, reafirmando sua convicção na unidade do Ocidente. Elly Schlein, líder do Partido Democrático, criticou a estratégia de aproximação com Trump e apontou erros na política externa do governo.

Com o afastamento, a Itália sinaliza intenção de investir no relacionamento com potências médias, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Qatar, Canadá, Austrália e Japão. O contexto inclui ainda pressões da oposição e do partido recém-lançado pelo ex-general Roberto Vannacci, além da expectativa de endurecimento retórico de Meloni contra a União Europeia com a aproximação das eleições parlamentares previstas para o primeiro semestre do próximo ano.